Luiz Eduardo Costa
Luiz Eduardo Costa, é jornalista, escritor, ambientalista, membro da Academia Sergipana de Letras e da Academia Maçônica de Letras e Ciências. Além desse blog, é colunista do Portal F5 News.
TEXTOS ANTIVIRAIS (88)
07/02/2022
TEXTOS ANTIVIRAIS (88)

O AQUIETAR DOS CARANGUEJOS: UM CENÁRIO DA SUCESSÃO SERGIPANA

 

Entre les deux mon coeur balance, diria Lula se falasse  francês, a linguagem diplomática, para expressar sua dúvida entre os dois.


Lá se foi a São Paulo Belivaldo  conversar com Lula. Mas, enfim, para que foi mesmo a viagem? Para conversar sobre Sergipe, sobre o Brasil, sobre o futuro, teriam explicado depois. Seria só isso ?Evidentemente não.
Belivaldo deve ter dito a Lula: em Sergipe todos estamos querendo votar em você, mas Rogério adiantou-se, saiu do nosso grupo e lançou-se candidato. Como o nosso grupo quase todo quer votar em você, isso ficará difícil, caso tenhamos palanques diversos. O que desejamos, no mínimo, é a sua neutralidade em Sergipe.
O PT sergipano, teria lembrado Belivaldo a Lula, chegou ao poder exatamente pela habilidosa teia de alianças que fora cuidadosamente montada por Marcelo Déda. Sem ele, o PT sergipano fica assim: meio órfão de inteligência, e cavalheirismo.
Em outras palavras: deslocado do pragmatismo político, através do qual se ganham as eleições. E fica mais o PT sergipano apegado à uma ideologização já embolorada, refém das vaidades que estufam o peito de arrogância, daqueles que rodam em torno dos próprios umbigos.
Bismarck, o criador da Alemanha, chamava  de “real politik”, o que se pode fazer sem fugir à realidade, mas, tendo a ideia precisa da meta que se quer alcançar, tendo uma visão de Estado. E sem individualismos.
Estamos em Sergipe muito mais próximos da mediocridade em todos os aspectos. Tanto assim, que vivemos uma pré-campanha, onde o tema Sergipe, poucas vezes é enfocado, muito menos debatido.
O gesto político de Belivaldo foi um passo além dos  acanhamentos e das nossas miúdas malquerenças paroquiais.
Mesmo na atmosfera de incertezas  que nos ronda, há que se pensar em futuro. E do jogo político não estão ausentes os riscos. Avaliá-los corretamente seria o que se pode fazer da melhor forma possível.
Quando Belivaldo foi a Lula, já não havia a hipótese de um retorno à aliança anterior entre governo e PT. Nela, figurava a possibilidade de ter Eliane Aquino, a Vice-Governadora, concorrendo ao Senado pelo PT, e todos se mantendo unidos em torno das duas chapas majoritárias, com o nome do governador sendo indicado pelo bloco governista, o que implicaria na retirada da candidatura  ao governo do senador Rogério. Haveria obstáculos a vencer, tanto de um lado como do outro, mas, essa seria, também, a alternativa que melhor atenderia aos propósitos de Lula.
Em outros vespeiros, ou cestos de inquietos caranguejos, Lula já meteu a mão, e pacificou discórdias em dois colégios eleitorais importantes, o Rio de Janeiro e Pernambuco; e continua empenhadíssimo em anunciar Alckmin como o seu companheiro de chapa, a peça de um xadrez que poderá significar o xeque- mate. Mais uma vez o ranço petista se opõe à ideia, como se ranço fosse capaz de vencer eleições.
O abraço entre Lula e Belivaldo e a troca de gentilezas entre os dois, que estavam mascarados, fez o PT sergipano eriçar-se, ou melhor, eriçou-se o senador Rogerio, que inquietou-se. E inquieto foi a São Paulo, dizer que o PT sergipano poderá eleger o governador e garantir a Lula uma vitória  por larga margem de votos. E se fizeram fotografar, abraçados, sorridentes, e sem máscaras. Lula sinalizaria que o seu apoio a Rogério dispensaria os votos das demais lideranças sergipanas? Bastante improvável. Rogério, evidentemente, pensou nele próprio, apenas. Continua girando apressado em torno do próprio umbigo. Sendo médico, Rogério estudou física, pelo menos para o vestibular, e deve saber perfeitamente a diferença entre forças centrífuga e centrípeta. Uma que puxa para dentro, outra que puxa para fora. Se não reduzir a rotação em volta do umbigo,  Rogério, pelo menos, poderia desconfiar que corre o risco de rodar fora de órbita.
No caso de Lula, o ambiente atual é extremamente favorável, mas não é bom cantar de galo, antes que o sol clareia o horizonte. E o horizonte político-eleitoral somente se tornará mais nitidamente perceptível, -apesar da agora nítida vantagem de Lula- quando, lá para os meados do ano se fizer uma avaliação de como anda o eleitorado, ou seja, a massa enorme de gente pobre, depois dos auxílios financeiros que estão saindo, e tantas “bondades” eleitoreiras anunciadas agora pelo presidente, que acaba de dar aos prefeitos e governadores o encargo de pagar aos professores o teto que ele elevou de uma canetada, sem que houvesse previsão orçamentária para tanto. O presidente não entende ou não que entender o que significa uma Federação, e muito menos o que significa a impessoalidade na gestão pública. 
Então, com um presidente assim, destemperado populista e querendo vencer a qualquer custo, com a caneta na mão, para cometer todas as impropriedades, todos os crimes, sem haver quem o controle, não seria de todo improvável que ele venha a superar a enorme rejeição que o persegue.
Rogério  não deve fazer esse tipo de avaliação ,até porque, para ele, seria no momento um exercício incômodo, preferindo o cenário mais fácil do ôba ôba alegre, descontraído, e já se imaginando governando Sergipe, com Lula presidente, e ele dando ordens de serviço a centenas de obras públicas, sem muita preocupação com rigores licitatórios, pois afinal, “Sergipe tem muita pressa”.
Lula faz uma avaliação mais realista. Ele não é um estreante emocional. Conhece profundamente as regras do jogo.
Sergipe é um colégio eleitoral   quase inexpressivo, mas , 400 ou 800 mil votos de diferença numa eleição, se aqui obtidos, não deixam de ter significado. 
Lula sabe que um só palanque em Sergipe lhe renderá muito menos votos, e  sabe avaliar o custo de ocupar um só deles, em detrimento do outro que deixa de somar.
Convencido disso, deve estar imaginando como  acomodará  as coisas  em Sergipe, sabendo, como costuma dizer o empresário João Carlos Paes Mendonça, que os caranguejos sergipanos são os que ficam mais inquietos e ariscos dentro de um cesto.
Já Belivaldo , sendo sergipano, estaria mais acostumado a lidar com os caranguejos seus conterrâneos, e diante da insistência de Rogério, sem desconhecer sua capacidade de transformar-se num trator,  capaz de esmagar caranguejos,  está cuidando de arrumar e aquietar os seus.
No bloco governista, já se teria formado a constatação adquirida a partir de resilientes pesquisas, de que o caminho mais fácil para vencer a eleição seria tendo Edvaldo candidato a governador e Mitidieri ao Senado. Edvaldo, dizem os analistas, projetou em todo o estado a imagem de um eficiente gestor, pelo seu desempenho positivo em Aracaju, onde seu nome mais cresce ainda. E as pessoas formam a ideia de que seria mais seguro trocar Belivaldo, que vem consolidando uma positiva imagem de eficiência, (e os fatos comprovam) por alguém com maior experiência administrativa, como é o caso de Edvaldo. Todavia, contra ele pesam opiniões adversas de lideranças políticas que o acusam de “dar pouca atenção aos aliados”.
Assim, diante de um possível avanço de Rogério, caso Lula incentive e apoie a sua candidatura, a indicação do candidato governista, somente se tornaria possível através de um consenso amplo, formado com a maioria expressiva do bloco, e, principalmente, sem gerar constrangimentos.
Mitidieri tem um amplo arco de apoio entre prefeitos e lideranças do interior. Ele tem sido para Sergipe e suas bases um bom parlamentar, e com capacidade para liberar recursos aos prefeitos. Tendo votado contra o impeachment de Dilma esperaria, até, tornar-se simpático ao PT, mas o partido não se caracteriza por tais gestos. Se não for o candidato ao governo, e com a perspectiva  mais favorável de tornar-se Senador, ainda não chegando aos quarenta, não seria  algo a ser desprezado por nenhum político, principalmente para quem, como Mitidieri, tem revelado uma  vocação inata para o Parlamento.
A desistência de André Moura de concorrer ao Senado provocou um vácuo difícil de preencher, pior ainda se André for impedido pela Justiça até de disputar uma vaga na Câmara Federal. Tudo isso deve ser levado em conta, e a presença de André para manter unido o seu forte grupo é quase fundamental.
A escolha do vice, por uma questão até de reconhecimento a Belivaldo, por ele ter decidido ficar até o fim do mandato e coordenar a sucessão, deveria caber exclusivamente a ele. Se   ele chegasse a fazê-lo, é quase certo que procuraria  indicar um nome que melhor harmonizasse o clima entre os candidatos a governador e senador, e ajudasse muito a “aquietar os caranguejos.”
Quanto ao bloco votar em Lula ou em outro candidato qualquer, as circunstâncias, e o “arrumar dos caranguejos”, irão determinar as escolhas.

 

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A SEMANA DE 1922 E OS DIAS DE AGOSTO DE 1942

2022, oitenta anos em agosto da tragédia da guerra começando por Sergipe. Cem anos da Semana de Arte Moderna, nossa identidade cultural, para fortalecer o conceito de independência que chega aos dois séculos este ano.

 

Um homem, num remoto ponto qualquer de Brasília, sentado ao lado de uma mesa ensebada, aparência um tanto desengonçado com o colete a prova de balas estufando-lhe a barriga e o peito. Com as mãos, que esfregava nas calças, comia frango com farofa, e emporcalhava a ele mesmo, e a calçada onde acontecia a cena.
O homem era o presidente da República Federativa do Brasil.
O cenário, um set de filmagem ao ar livre, adredemente preparado, para, segundo o diretor do filme, um dos seus filhos, revelar ao Brasil e ao mundo a simplicidade de um presidente  que come no meio da rua, num ambiente de pobreza, todavia, artificialmente criado.
Dezenas de seguranças partilhavam a cena.
Esse mesmo homem já se exibira antes, degustando uma picanha de carne nobre, que custa mais de mil e quinhentos reais o quilo.
A estética marqueteira do populismo extremista, perpassa da  fanfarronice do exibicionismo perdulário à miséria de um morador de rua, sem demonstrar qualquer incômodo com o grotesco.
O Dr. Goebels, propagandista de Hitler, revelaria muito mais sensibilidade, e inteligência.
Mas, é este o quadro bizarro do Brasil desses nossos dias. Faz três anos que ouvimos o libreto desconexo de uma dissonante  ópera bufa tragicômica.
O pintor Emiliano Di Cavalcanti tinha 24 anos, estava em São Paulo  e dormia, na madrugada do dia 27 de janeiro de 1922 no quarto de hotel, tendo encerrado há pouco tempo a noite boêmia pelos puteiros da rua major Sertório, com o amigo Vicente Ráo, um advogado ainda desconhecido ,que, depois, se tornaria famoso jurista e ministro do STF. Bêbado, o pintor acordou assustado, imaginando que o mundo desabava sobre sua cabeça, porque tudo balançava. Por um instante acreditou que aquilo fazia parte dos efeitos do álcool. Mas, logo começou a ouvir um italiano gritando: “Terremoti, terremoti!”.
No dia seguinte, um domingo, o então quase famoso artista foi ler os jornais paulistanos, e, como conta em suas memórias escritas 30 anos depois, no rodapé de página abaixo das grandes manchetes sobre o “assombroso evento”, havia a notícia de que  diversos intelectuais do Rio e São Paulo, por iniciativa do escritor e diplomata Graça Aranha, estavam ultimando preparativos para a apresentação na semana de 11 a 18 de fevereiro próximo,  no Teatro Municipal, do que haveria de “rigorosamente atual” no mundo das artes, da escultura à literatura, passando pela música, a arquitetura a pintura. E já antecipavam a lista de participantes, onde constavam: Mário de Andrade, Menotti del Picchia, Victor Brecheret, Anita Malfati, Oswald de Andrade, e informava ainda que Tarsila do Amaral não participaria, por estar na Europa. A notícia acrescentava: pela primeira vez, estaria em São Paulo o grande maestro Villa-Lobos. Um dos jornais cunhou a expressão: “Semana Futurista”, e essa foi a característica da Semana de  Arte Moderna, centenária agora, já nesta semana, desde fevereiro ainda pandêmico, e outra vez adiando o Carnaval.
Anos depois, um alagoano chamado Graciliano Ramos, referindo-se à Semana de Arte Moderna, diria, que, enquanto ocorria o terremoto criativo no mundo intelectual brasileiro, quase resumido ao eixo Rio – São Paulo, ele estava com uma trena na mão e a tesoura em outra,  cortando pano de chita na sua loja de tecidos em Palmeira dos Índios.
Com a sua escrita seca, precisa, e sem atavios do beletrismo usual, Graciliano impregnou a literatura brasileira da essência daquele futurismo buscado na Semana de 22, sugerindo um retrovisor, para enxergar o drama social de um país até então escondido pelo ufanismo indiferente dos seus intelectuais aristocraticamente europeizados.
Antes de começar, a Semana de 22 já envolvia a elite pensante, ou a “rapaziada” inquieta e inconformista, no salutar debate sobre o que fazer com a insípida cultura brasileira, e, por via de circunstância, o que fazer com os destinos de um país entregue a fazendeiros, e aos seus bacharéis acomodatícios, conservados na água de pote das conveniências.
O que fazer, ou o que tentam fazer com a cultura brasileira, permanece, um século depois, como tema atualíssimo, e seria bom relembrar daquela inspiradora Semana.
Relegada a um canto, comandada por um analfabeto, jaz a “política cultural brasileira” num apêndice incômodo, espremido entre o esporte e o turismo.
Intelectuais e artistas brasileiros  são ofendidos pelo presidente e os seus comandados, que formam a corte do desconexo “anarco-conservadorismo – patriótico – religioso e liberal.”.
Mas a sociedade reage, e às vésperas dos cem anos do que ocorreu em 22, há um fervilhante ambiente cultural e artístico para celebrar a Semana, e reinventar-se  ao longo do ano com a seiva da modernidade e inovação que nela surgiu.
A Semana de 22 não passará em branco, como desejam os  “gauleiters”, capitães do mato, que agora policiam a cultura, e até já queimaram livros. Transitam pelo nazifascismo, e se vão encontrar, todos, arrodeando as fogueiras inquisitoriais acendidas pelo Santo Ofício, a partir da Contra-Reforma em 1457. Retroagimos alguns séculos.
Lembrar 1922, descortinar caminhos para o futuro serão os incensos que se espalharão neste ano de 2022 para afastar a pestilência das fumaças medievais que nos ameaçam.
Aqui em Sergipe, há, especificamente, uma outra data também a ser lembrada: agosto de 1942.
Em agosto nos chegou a guerra. Veio com o submarino alemão U-507, quando, no dia 15, ele fez as suas primeiras vítimas. Navios de carga e passageiros que navegavam desarmados nas proximidades da barra da Estância foram torpedeados. Eram o Baependy, o Araraquara e o Aníbal Benévolo, este, dirigia-se ao porto de Aracaju. Depois, até o dia 19, já navegando nas águas do norte baiano, o submersível afundaria o Itagiba, o Arará, e o veleiro Jacira. Aos 5 apavorados tripulantes do saveiro, o comandante do U-507 lhes permitiu que escapassem num bote salva vidas,  e usou o canhão para poupar  torpedos.
O saldo foi 607 mortos e quase cem feridos. Cuidar dos feridos foi a tarefa desempenhada pelos precários serviços de saúde da época,  em Estância e Aracaju, em meio ao pânico da cidadezinha que era a nossa capital com menos de 50 mil habitantes. Os cadáveres, quando possível, identificados, eram enterrados quase todos ao longo da praia, desde a Barra da Estância até as proximidades de Pirambu. Na localização e ações de salvamento foram fundamentais os pilotos do Aeroclube de Sergipe, com a precariedade dos seus aviões e a plenitude  da coragem pessoal.
Essa tragédia vivida em Sergipe, causou a indignação nacional contra os agressores nazistas. Finalmente,  no dia 31 de agosto, o ditador Getúlio Vargas declarou guerra ao Eixo, Alemanha – Itália – Japão.
O resto dessa história, onde se misturam nobreza e infâmia, lealdades e traições, covardias e heroísmos, é razoavelmente conhecida.
Enfim, dois anos depois, nossos soldados nossos aviadores, entraram em ação na Itália, a Marinha já entrara antes, com seus parcos meios, patrulhando as nossas águas. Os que desembarcaram na Itália enfrentaram, em ambiente adverso, a dureza dos combates com as hordas guerreiras experimentadas por Hitler.
Essa história precisa ser rememorada desde os seus primórdios, desde as praias ensanguentadas de Sergipe e Bahia. Os episódios de agosto de 42, são quase desconhecidos, embora tenham sido relatados em vários livros, em teses e dissertações acadêmicas , e nessas, se destaca o trabalho de mestrado de Luiz Antônio Pinto Cruz, intitulado: A Guerra já chegou entre nós! O Cotidiano de Aracaju Durante a Guerra Submarina. Merece ser publicado em livro. Como merecemos, também, ter aqui o Memorial já projetado,  que deverá ser localizado na nova Orla da Atalaia, correndo paralela às praias, onde a maior parte da tragédia se desenrolou. O governador Belivaldo Chagas, concluirá a Orla, mas, dificilmente o memorial sobre os episódios e as suas consequências  ficará pronto este ano . Segundo Ézio Déda, criativo gestor do Instituto Banese, (instrumento, ao lado da EDISE, de quase tudo que se faz hoje na cultura em Sergipe) o projeto da arquiteta Clarissa de Almeida terá licitação internacional, e isso demandará mais tempo.
Ideias, contatos, articulações para um memorial tal como esse que está em andamento, tudo isso, já tem acumulado o sergipano piloto da LATAM, André Cabral, que reside em Aracaju. No intervalo entre  os seus  voos o piloto e pesquisador da nossa história pensa e trabalha em função do projeto que hoje é quase um objetivo de vida. Ele percorreu os caminhos de luta e sangue da FEB na Itália, da Força Aérea Brasileira, e estudou a participação, principalmente, dos sergipanos que estiveram na luta, e de tantos que lá perderam a vida, como o jovem tenente -aviador Aurélio Sampaio. Há, em Aracaju, um Grupo de Estudos especificamente voltado para esse tema, de crucial importância para a nossa história, e, da mesma forma, para dar objetividade  aos nossos conceitos de honra e dignidade. Devem ser para sempre honrados os que enfrentaram a brutalidade desumana do nazifascismo, da qual o povo judeu é a mais nobre, sofrida, e eloquente testemunha. O Memorial é indispensável para fixar essa página da história sergipana, inserida no drama apocalíptico da Segunda Grande Guerra.
Precisamos relembrar a Semana de Arte de 22, precisamos assinalar  a passagem dos 80 anos do massacre de 1942, nessa coincidência de datas significativas deste ano que vivemos.
Seria ideal, também, neste ano de 2022, tão evocativo, refazer e ter de volta a Secretaria de Estado da Cultura, com amplitude de ação e orçamento próprio. Ela foi temporariamente extinta naquela inadiável faina de sacrifícios para retirar o Estado do poço da quebradeira onde afundava. Agora, já se respira outros ares.
Em torno de nós se expande a barbárie e a estupidez. É imperioso que este avanço seja contido. E isso não se faz com armas nem regras: se faz com o antídoto da cultura, do conhecimento. E com essas convicções nobres, poderemos também, comemorar com mais entusiasmo os 200 anos da nossa Independência, ainda não inteiramente consolidada. Mas isso, já é outra história. 

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O HOSPITAL,  OS QUE SALVAM, OS QUE SOFREM, E OS OUTROS

Sou obrigado a fazer o que não gosto: falar na primeira pessoa.
Mês passado, retornando de umas curtas férias em Japaratinga, uma jóia, na natureza pródiga das praias alagoanas, após o primeiro dia de retorno ao trabalho, piorou a sensação de cansaço extremo que me incomodava desde algum tempo. Quase inanimado e semiconsciente fui levado ao Hospital de Urgência da UNIMED. 
Suspeita: Covid. Mas eu já tivera a Covid, em setembro do ano passado, que foi fraca, embora deixasse sequelas, principalmente, dificuldade de respirar, variações na pressão arterial, cansaço. Parei de remar, o que faço de forma intermitente desde os 16 anos. Tenho agora 81.
Assim, fui para a enfermaria onde ficam os suspeitos de Covid. Todos os exames feitos, aplicados os medicamentos pelas sempre diligentes equipes, (nada de cloroquina nem de azitromicina) reanimei-me. Mas era preciso esperar o segundo exame, o primeiro dera negativo.
Numa das noites, sem conseguir dormir, lembrei-me o tempo todo dos que fazem a criminosa campanha contra as vacinas, especialmente agora, em relação às crianças. Ouvi uma criança sem parar de tossir e com respiração ofegante passar espaços de tempo chorando e gritando: papai, papai, mamãe, mamãe. A criança estaria com Covid. Soube depois que ficou curada e vai agora tomar a vacina. 
Veio o segundo exame. Não era Covid, tratava-se de uma infecção no pulmão. Uma pneumonia grave. A bateria de antibióticos e corticoides aplicada dia e noite, logo mostrou os efeitos. Já conseguia fazer com alguma desenvoltura a fisioterapia. Fui para outro setor onde não havia Covid.
Conversando com médicos e  as equipes de enfermagem,  com os encarregados da limpeza, formei uma ideia mais exata do que têm sido esses tempos agônicos, dessa tragédia sanitária que nos atormenta. A ideia do que acontece nos hospitais, a ideia dos que sofrem, e dos que lutam para salvar vidas. Há, entre os que laboram nos hospitais, tantos que morreram, que ficaram com sequelas, que passaram meses sem contato com as famílias, isolados no próprio local de trabalho;  arriscando-se a toda hora, e sem verem os filhos.
Os hospitais, meus amigos, estão repletos de heróis, se por heroísmo se entender o sacrificar a própria vida, o risco permanente, no afã  de proteger e salvar a vida de outros.
Isso tem sido feito, sem alarde, sem notoriedade, no anonimato,   desde que começou a pandemia, e lá se vão dois anos. Numa guerra, nenhuma tropa deve permanecer por mais de um ano envolvida diretamente nas batalhas, porque o corpo e a mente entram em colapso. Nos hospitais brasileiros, desde os da rede pública, operando o SUS, o inigualável sistema de saúde pública abrangente que temos no Brasil, acionado pelos estados e municípios, aos hospitais particulares, um cenário de guerra persiste. E as equipes não podem ser trocadas, porque quase não existem substitutos.
Saí do hospital, agora, repleto de tantos agradecimentos a fazer: ao Criador, às entidades que me protegem, à família, aos amigos, pelo carinho, o amor, a dedicação, o sacrifício. Agradecer imensamente à Medicina, às suas equipes, que, no caso da UNIMED, parecem sintonizadas na vontade de curar e de externar gentilezas.
E saí mais ainda absolutamente convicto: todos os que negam a pandemia, rejeitam a vacina, ou estão ludibriados em sua boa fé, ou, são efetivamente portadores de um vírus mais perigoso, que é a desumanidade, a absoluta indiferença em relação à vida, em relação ao sofrimento alheio. E, não me restam mais dúvidas de que são absolutamente cruéis, os que minimizam a pandemia, os que fazem pouco caso das mortes, e até zombam, imitando as vítimas da Covid que não conseguem respirar. E simplesmente dizem que não são coveiros.
“Deixai aos mortos que enterrem os seus mortos”, diriam, estes,  grosseiramente imitando Nietzsche, se tivessem algum conhecimento sobre o filósofo, que pregava o alheamento ao  sentimento de fraternidade. A essência do humano.
Temos o dever moral, a responsabilidade humana, de livrar o Brasil desse vírus do desatino, que amplia a tragédia, associando-se à faina da morte.

INFORME PUBLICITÁRIO

Tribunal de Justiça de Sergipe confirma, em liminar, a legalidade da tarifa de esgoto em Itabaiana

A Companhia de Saneamento de Sergipe – DESO obteve importante vitória na Justiça. O Tribunal de Justiça de Sergipe, deferiu liminar caçando a decisão do juiz da 1ª Vara Cível de Itabaiana que havia suspendido a cobrança da tarifa de esgoto. O Tribunal de Justiça ratificou assim a legalidade da cobrança da tarifa, uma vez que o serviço de esgotamento está disponível na sede do município. O TJ/SE, na mesma decisão, também legitimou o percentual da tarifa de 80% cobrado pela Deso. Importante destacar que  esse valor é um dos menores aplicados no país, pois em algumas cidades o valor da tarifa de esgoto já está fixado entre 100% e 120% da tarifa de água.

Vale ressaltar que o Tribunal de Justiça de Sergipe, assim como os demais Tribunais do país, bem como o Superior Tribunal de Justiça já havia confirmado a cobrança da tarifa de esgoto pela mera disponibilidade, o que foi legitimado com o Novo Marco Regulatório, Lei 14026/2020. 

Esgotamento Sanitário: importância e investimentos

A falta de condições adequadas de saneamento pode contribuir para a proliferação de inúmeras doenças parasitárias e infecciosas além da degradação do corpo da água. A disposição adequada dos esgotos é essencial para a proteção da saúde pública. O sistema de coleta e tratamento evita a contaminação das pessoas e a transmissão de doenças. É fundamental a rede e tratamento do esgoto para conservar o meio ambiente naturais, pois o despejo de esgoto nas águas dos rios ou no mar provoca poluição e  pode causar a morte de peixes e de outros animais. A destinação inadequada de esgoto é uma das principais causadoras da poluição do solo, de mananciais de superfície e de cursos d' água.

Remover os poluentes da água utilizada pela população e devolvê-la aos corpos hídricos tratada e em boas condições conforme as exigências da legislação e dos órgãos ambientais é a principal função de uma Estação de Tratamento de Esgoto, cujos resultados proporcionam impactos diretos na saúde das famílias, e, principalmente no equilíbrio dos ecossistemas do planeta.

A Deso tem investido em esgotamento sanitário em diversas localidades do Estado. Atualmente 98% da população é abastecida com rede encanada de água e vem avançando em um ritmo acelerado na cobertura de esgotamento sanitário. A Grande Aracaju está com 65% de cobertura de tratamento de esgoto, com obras em andamento para alcançar 90% de cobertura. Tem obras, em Lagarto, Itabaiana e em Nossa Senhora das Dores. Em Brejo Grande, Itabi, Pacatuba, Canindé do São Francisco as obras já acabaram. Ao todo, a Deso já investiu mais de 1 bilhão de reais em esgotamento sanitário.

A TARIFA SOCIAL é um programa mantido pela DESO que oferece tarifas diferenciadas para clientes de baixa renda em todo o Estado.

No programa, o imóvel é cadastrado na categoria RESIDENCIAL SOCIAL e, com isso, a conta de água recebe descontos que variam de 20% a 50%, de acordo com o consumo, limitado a até 20m³ mensais.

Para solicitar a Tarifa Social, o cliente deverá providenciar cópias dos seguintes documentos: RG, CPF, extrato recente de benefício social, conta de energia e comprovante de renda se houver. Também é necessário preencher o Questionário Socioeconômico (disponível em nossas Lojas de Atendimento ou pelo site www.deso-se.com.br/menu/tarifa-social).

IMPORTANTE: O benefício da TARIFA SOCIAL é válido por 24 meses e pode ser renovado.

Para mais informações, procure uma das nossas Lojas de Atendimento ou ligue para a Central de Relacionamento 4020-0195.

Com a Lei de Zoneamento Costeiro, o Litoral Sul de Sergipe tem novas oportunidades

No dia 11 de fevereiro, um grande passo para o desenvolvimento do Estado de Sergipe foi dado. Trata-se da sanção da lei Nº 8.980, que versa sobre o Zoneamento Costeiro do Litoral Sul de Sergipe.

Junto com o poder executivo, a Assembleia Legislativa do Estado de Sergipe aprimorou e pôs em prática a lei que se baseia nos apontamentos do Plano de Desenvolvimento Sustentável de Sergipe, tendo como objetivos centrais contemplar atividades  econômicas, fortalecer instrumentos de licenciamento, estabelecer diretrizes de uso do solo e ampliar as perspectivas para novos investimentos. 

O Litoral Sul da Zona Costeira de Sergipe está definido como a faixa marinha que se estende até 12 milhas náuticas, bem como a faixa terrestre que inclui o trecho do Rio Vaza-Barris até o Rio Real.

A lei é um marco para o desenvolvimento dos municípios de Itaporanga D' ajuda, Estância, Santa Luzia do Itanhy e Indiaroba, que logo colherão os frutos de uma economia baseada na sustentabilidade, respeitando os recursos naturais, gerando emprego e renda para o povo sergipano.

Lei de Zoneamento Costeiro. Porque acreditamos em nosso futuro.

 

Deso realiza campanha de doação para famílias desabrigadas com as enchentes na Bahia
Foi arrecadada mais de meia tonelada em alimentação, vestuário e produtos de limpeza

Cerca de 50 caixas com copos de água, além de mais de meia tonelada em alimentação, vestuário e produtos de limpeza foram arrecadados pela Companhia de Saneamento de Sergipe – Deso, e doado para famílias desabrigadas na Bahia, devido as fortes chuvas dos últimos meses. Uma equipe de funcionários da Deso foi pessoalmente levar as doações no Estado vizinho, diante da campanha que foi realizada na empresa durante uma semana, e que contou com a participação de empregados e clientes.

De acordo com o assistente de Gestão Operacional I, um dos responsáveis por levar as doações até a Bahia,os itens foram levados até o Corpo de Bombeiros, na capital Salvador. Além da Deso, estavam chegando a todo momento carros da população com ajuda em roupas, alimentos e água. O comandante que recebeu a equipe da Deso, disse que já tinham mandado uma carreta completa só com roupas e já estava pra completar outra. Tudo destinado diretamente para a região sul da Bahia que sofreu com as enchentes e alagamentos. E é de uma importância enorme, pois toda ajuda é bem-vinda. É sempre bom ajudar ao próximo.

Segundo um empregado da Deso, que atua como assistente Operacional II, na manutenção de equipamentos e bombas, e que foi um dos doadores, os desianos abraçaram a causa dos irmãos baianos. As enchentes e inundações levaram tudo das pessoas e foi o mínimo que os que participaram puderam fazer,para ajudar o povo sofrido.

Para Thiago Claiton dos Santos, pedagogo e cliente da Deso em Aracaju, o estimulo em participar da campanha veio através de uma postagem no instagram na Companhia. “As doações não devem parar, pois as pessoas atingidas continuarão precisando. Então, quem puder doar que realize essa ação, não só com alimentos, mas com o seu tempo, com uma palavra de apoio, que é necessário. Minha iniciativa em participar veio através da postagem que vi no instagram da Deso, e me senti a vontade para poder doar de alguma forma, foi um estimulo para que eu pudesse levar minha contribuição”, ressaltou.
 

Deso apresenta Estudo Socioeducativo do “Programa Boa Semana”
Entre os dados divulgados, uma análise das situações que incluem a Covid-19, e as metas para a atuação técnica a partir de março de 2022, visando promover a melhoria da qualidade de vida no ambiente de trabalho

A importância em dar visibilidade aos impactos da pandemia nas relações sociais e trabalhistas, foi tratada na Companhia de Saneamento de Sergipe – Deso, com a apresentação da equipe de Coordenação de Serviço Social e Benefícios – CSSB, que expôs os resultados da “Pesquisa Social de Mapeamento Covid-19”, diante de um cenário mundial nunca vivido até então, através do “Programa Boa Semana”, já desenvolvido pelo setor.
De acordo com a coordenação da CSSB, a equipe esteve inserida em todo o contexto dos colaboradores da Deso acometidos pela Covid-19. Além disso, buscaram possibilitar embasamento para a construção de ações socioeducativas e estratégicas que visam acolher vidas, fortalecer vínculos e emoções no ambiente laboral.

PESQUISA E RESULTADOS

A pesquisa foi realizada, contando com todas as suas fases, durante cinco meses. O estudo foi realizado através do “Programa Boa Semana”, pela equipe de assistentes sociais, em colaboração com toda a equipe técnica da CSSB: psicólogo, assistente social e estagiárias, sob orientação da coordenação.
A partir de um processo de desenvolvimento de análise e interpretação dos dados coletados de forma qualitativa, correlacionando com a totalidade e com a realidade da Deso, os dados foram obtidos através da aplicação de questionários impressos ou enviados via aplicativo de WhatsApp e e-mail institucional, ferramentas que viabilizaram a realização da pesquisa já que estávamos em uma pandemia e que era necessário esse acolhimento pelo Serviço Social da empresa.
As repercussões da pesquisa poderão ser percebidas na prática a partir do desenvolvimento de intervenções baseadas em seus resultados que serão realizadas pelo “Programa Boa Semana”, que traçará as metas para a atuação técnica a partir de março de 2022 visando promover a melhoria da qualidade de vida no ambiente de trabalho, socializar informações da pesquisa e da pandemia, dar visibilidade a saúde mental e proporcionar momentos de interação e descontração aos colaboradores.

IMPORTÂNCIA DO ESTUDO

De acordo com a Gerência de Gestão de Saúde e Segurança do Trabalho – GGSS, o evento do “Boa Semana” foi de suma importância para mostrar aos colaboradores os resultados dos questionários respondidos pelos que foram acometidos pela Covid-19. Muito importante para que cada situação seja analisada, inclusive em relação à eficácia das medidas profiláticas implementadas pela empresa no início da pandemia que perduram até o momento. Uma oportunidade para demonstrar as ações realizadas pela GGSS, pois foi um grande desafio para o setor de saúde e segurança do trabalho, com a equipe reduzida no início da pandemia, realizando pesquisa de vários protocolos dos órgãos da saúde para implantar as ações de combate ao coronavírus na empresa, ações estas descritas no Plano de Contingência da Deso. Importante lembrar que devemos continuar os mesmos cuidados como o uso da máscara e tomar a vacina contra a Covid-19 para que consigamos controlar a pandemia.

Segundo a coordenação de Saúde Ocupacional, o momento trouxe inúmeros aprendizados para todos os envolvidos nesse processo, além de fornecer um enriquecimento profissional, que contribuem para o desenvolvimento humano. Para a coordenação da CSSB, o Serviço Social dentro da instituição torna-se um setor de relevância que trabalha na desburocratização da informação, e assim, viabiliza para que os colaboradores tenham acesso aos seus direitos. É imprescindível em qualquer situação a parceria entre diretorias, gerências, coordenadores e colaboradores para melhores resultados dentro da empresa. E o acesso a informação é o que possibilita a consolidação do objetivo e missão da Deso.
 

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