Luiz Eduardo Costa
Luiz Eduardo Costa, é jornalista, escritor, ambientalista, membro da Academia Sergipana de Letras e da Academia Maçônica de Letras e Ciências. Além desse blog, é colunista do Portal F5 News.
TEXTOS ANTIVIRAIS (65)
26/06/2021
TEXTOS ANTIVIRAIS (65)

DO SARGENTO AO GENERAL PAZZUELO, DE ASSIS CHATEAUBRIAND A CRIVELLA

(Pazzuelo que já saiu, e Crivella que arrisca entrar)
Apenas relembrando:
Naqueles meses tumultuados, repletos de apreensões que antecederam o esquentar de motores dos  tanques , o azeitar geral de armas   se fez  o golpe de 1964, corolário inevitável  das marchas  reunindo multidões nas maiores cidades brasileiras. Havia,( e naquele tempo não era apenas um fantasma) o temor de um processo que levaria o Brasil e tornar-se  “uma nova Cuba". Os temores não eram de todo injustificáveis.  Foi vitoriosa em  1959 a revolução cubana, que, dois anos depois, levou seu principal dirigente, Fidel Castro, a declarar-se “marxista-leninista", algo impensável e impossível de acontecer apenas a 300 kms das praias do colosso capitalista, e maior potencia militar do planeta.


No Brasil, como em tantos outros países do Terceiro Mundo, a esquerda, dita revolucionária, acreditava que a etapa  final seria através da conquista do poder pelas armas.  O Estado Maior das forças armadas brasileiras, no seu planejamento estratégico, listava a hipótese bastante provável  de haver militares das três Armas,  numa tentativa de  tomada do poder pela esquerda revolucionária, com participação de fardados de menor graduação, e uns poucos oficiais superiores , por isso, operava com a perspectiva de um forte derramamento de sangue, tendo a convicção de que, se não fosse com rapidez sufocada a tentativa, os marines americanos desembarcariam para resolver o assunto. Deviam ter alguma tranquilidade, tendo  a imagem precisa dos acordos de reordenamento das áreas de influencia dos dois  gigantes que se enfrentavam, após a crise dos foguetes  russos instalados em Cuba, isso, em outubro de 1962, quando Washington e Moscou evitaram a Terceira Guerra Mundial, (que seria a última)  negociando, na undécima hora,  ajustamentos nas suas visões imperialistas,  entre esses, a sobrevivência de Fidel Castro em Cuba, enquanto os russos não dariam qualquer ajuda militar a movimentos de esquerda, desde o rio Grande,  divisa com o México, até o estreito de Magalhães, no extremo sul do Continente.
Che Guevara em 1967, fracassando abandonado no seu intento de espalhar focos revolucionários pela cordilheira dos Andes, descobriu, tardiamente, que  o apoio cubano ficara apenas na retorica belicosa da rádio Havana.
Entre os militares, havia a percepção nítida de que o conceito de hierarquia e disciplina deveria ser preservado a qualquer custo, para evitar  a onda avassaladora da política  ideologicamente radicalizada, entrando pelas portas dos quarteis. 
O momento exato em que o Estado Maior entendeu que era preciso mover os tanques, foi quando observou-se que a quebra dos princípios de hierarquia e disciplina  chegava ao clímax. 
E isso ocorreu, exatamente, quando o presidente João Goulart cometeu a imprudência absurda, e na qualidade de chefe supremo das Forças Armadas, juntou-se a uma tumultuária reunião dos sargentos, que desafiavam os seus comandantes e anunciavam a sublevação geral contra eles.
Jango cairia dois dias depois, mas, mesmo  assim, por um gesto inicialmente isolado dos generais Olímpio Mourão e Carlos Guedes, com o apoio decisivo do governador de Minas Magalhães Pinto, que controlava uma poderosa Polícia Militar e tinha muito dinheiro. Era banqueiro.
Durante os governos militares, não se imagine que os quarteis ficaram à margem da política.  Os generais vitoriosos deram a eles mesmos o direito de governar e fazer política, e isso gerou situações perigosas.
Castello Branco teve de engolir  Costa e Silva como seu sucessor, para não precisar, já idoso,  envergar o uniforme de combate que usara nos campos de batalha italianos, e enfrentar uma tentativa de deposição.
Geisel, montou uma operação de guerra para demitir o seu Ministro do Exército Sílvio Frota, que, mordido pela mosca azul, imaginara trocar o “Forte Apache" pelo Palácio do Planalto.
Assim, todas as escolhas dos presidentes militares pelo restrito colegiado de oficiais generais, sempre foram marcadas por alguma tensão, ignoradas pela opinião pública, porque os meios de comunicação estavam devidamente amordaçados.
Com a redemocratização,  resultado de um consenso entre civis e militares, não se ouviu falar mais de crises militares, afora uma ou outra nota sempre emitida por oficiais reformados, integrantes do Clube Militar.
Agora, depois que uma minoria radical saiu às ruas pedindo ditadura militar, estimulada pelo próprio presidente, um capitão da reserva que sempre se caracterizou pelo comportamento  incomum, ou, se preferirem, bizarro, volta-se a  desenhar no horizonte e hipótese, que há tão pouco tempo pareceria absurda, de um golpe com apoio armado. O presidente vez por outra refere-se “ao meu exército" poderia dizer: nosso exército, mas, completa sempre suas narrativas confusas e turbulentas com  a metáfora ameaçadora  do “esticamento da corda”. Assim, ele quer exatamente passar a impressão de que o exército se moveria em quaisquer circunstancia, em estrita obediência às suas ordens, fazendo a "corda” romper de  vez, e transformando o Brasil numa “banana republic", submetida à vontade tirânica de um déspota, e, o que seria pior: um déspota descerebrado.


Quem assistiu  na Globo News a entrevista do vice-presidente Hamilton Mourão ao jornalista Roberto D`Avila, deve ter entendido o que quis dizer  o general quatro estrelas,  um homem culto, sensato . civilizado, e com inegável liderança, ao enfatizar que os militares juraram obediência à Constituição Brasileira, e não se movem em desobediência ao juramento.
O episódio da não punição do general Pazzuelo fez reforçar a suspeita de que o capitão enquadrara os generais. Todavia, o sigilo de cem anos estabelecido pelo Exército, para que se  torne público o que ocorreu na nervosa reunião do Estado Maior, faz supor que, para não gerar uma crise de maiores proporções, um acordo teria sido firmado entre o  capitão, por força do voto popular tendo a prerrogativa de  chefe supremo das forças armadas, e os seus  generais que não admitem transformar a absolvição de Pazzuelo num precedente,  abrindo caminho para a “passagem da boiada” pelos quarteis a dentro.
A ida de Pazzuelo para a reserva,  nos próximos dias, seria um dos itens acordados.
Já o caso da indicação do nefasto Crivella, o mercador da fé,  administrador  que de tão impudico foi higienicamente afastado da Prefeitura do Rio, vem causando   ebulição no corpo diplomático, já muito ressabiado pelas  estultices do Ernesto Araújo, que, apesar de energúmeno, era um diplomata de carreira. Essas nomeações de gente de fora da “carrière", quase sempre incomodam. Não é usual que Embaixadas sirvam como moeda de troca para acomodar situações políticas,  mas há precedentes  emblemáticos.
Assis Chateaubriand, jornalista, paraibano  culto, insinuante e genial, montou o maior império de comunicação  da América Latina; ele foi também o mais generoso entre os grandes chantagistas brasileiros. Chantageava para a manutenção do poderoso grupo Diários Associados, e também para por em prática iniciativas importantes, tais como: “Asas Para o Brasil”, a formação de uma mentalidade aeronáutica com a distribuição de aviões de treinamento aos Aeroclubes , isso, quando a guerra  avizinhava-se; o MAM, Museu de Arte Moderna, aquele prédio com arquitetura futurista na Avenida Paulista, onde se preserva um acervo de quadros dos grandes pintores. Só Deus, Chateaubriand, e seus chantageados sabem, quantas peripécias aconteceram  para tornar possível a construção do Museu, e formar o seu acervo, quando se  tratava de adquirir  obras de Picasso, de Renoir, de Matisse, e tantos outros, e os barões do café ou da indústria, negavam-se a abrir os bolsos, como aconteceu com o conde Francisco Matarazzo, cuja reputação e seu conglomerado industrial foram “metralhados” em sucessivos editoriais do implacável Chateaubriand .  Quando foi coroada a Rainha Elizabeth ,  Chatô  tirou dos cofres da sua empresa, como atabalhoadamente sempre fazia, alguns milhões de cruzeiros, e mandou fazer uma joia rara, formada por cobiçadas pedras brasileiras;  e largou-se a Londres para vestir fraque e cartola,   tentando entregar pessoalmente o presente à Soberana. Não conseguiu,  então, decepcionado, a contragosto, entregou a joia no Palácio de Buckingham. Mas, prometeu que voltaria, e a Rainha seria obrigada a recebê-lo. Eleito senador pelo Maranhão, Chatô literalmente exigiu que Juscelino Kubitscheck, a quem ele combatera quando candidato, e  logo o apoiando quando eleito, o fizesse Ministro Plenipotenciário junto à Corte de  Saint James, ou seja: Embaixador no Reino Unido.
JK hesitou muito em atendê-lo, prevendo problemas com os senadores, que não admitiriam a violação do regimento da Casa, vedando a nomeação dos seus integrantes para  cargos que não fossem de Ministros, no plano federal, ou Secretários nos estados. A Embaixada em Londres,  na época, fazia parte do chamado  “Circuito Elizabeth Arden", numa alusão aos produtos requintados daquela grife. As outras mais cobiçadas eram Washington, Paris e Roma.
Enquanto impaciente aguardava a nomeação, Chatô ia disparando  “avisos" a JK pelas páginas dos seus jornais, e aplainando o terreno entre os colegas senadores, apesar da sua baixa frequência ao Palácio Monroe, onde na época funcionava a Câmara Alta no Rio de Janeiro, capital da República.
Finalmente, tornou-se Embaixador em Londres o “Velho Capitão", como carinhosamente o tratavam seus principais  condôminos , os “ príncipes regentes” em cada área do país, tanto das empresas de comunicação como dos seus variados negócios, entre eles industrias farmacêuticas, importação de trigo e empreendimentos agropecuários, o mais ousado  a Fazenda Manga, às margens do São Francisco em Minas Gerais, uma enorme e pioneira área irrigada.
Num séquito de carruagens douradas, chega Chateaubriand, envelopado num reluzente fraque, exibindo todas as suas condecorações;  na cabeça uma cartola desproporcional para a sua pequena estatura, mas era isso o mesmo o que ele queria:   ser recebido pela Rainha. Daí  em diante o Brasil fez festa permanente em Londres, onde chegavam comitivas de artistas, belas mulheres vestidas à moda cangaceira nordestina,  dançando forró, xote e baião, e também empresários querendo ampliar negócios, na mais auspiciosa época  de transformações e criatividade que viveu o Brasil, os anos JK, da bossa nova, da construção de Brasília,   das siderúrgicas, dos estaleiros, da indústria automobilística, da SUDENE, das  grandes rodovias, das linhas ousadas de Niemayer encantando o mundo, e sendo imitadas. Enfim, uma época onde a arte da política era exercida na sua plenitude, o presidente liderava uma equipe de governo que sonhava e fazia surgir o grande ensaio de uma pujante civilização nos trópicos. Juscelino, um incansável gestor, não gastava tempo provocando conflitos,  tinha compostura, respeitava os brasileiros, inclusive os seus mais acérrimos adversários, falava com a doçura da paz, e tinha um sorriso irradiando simpatia; convivia com personagens do mundo da cultura, da ciência, das artes.
Foram tempos descontraídos, apesar do radicalismo insano de alguns  poucos oficiais da Aeronáutica que fizeram duas rebeliões, rapidamente sufocadas, e depois  beneficiados por um magnânimo ato de anistia assinado pelo presidente harmonizador.
Passeando pela lembrança  dos tempos de JK, da diplomacia festiva e telúrica  de Assis Chateaubriand em Londres,    e agora, tendo afastado o risco  de um "fritador de hambúrguer” em Washington, mas,   surgindo a ameaça  de um mentecapto assumir a Embaixada em Pretória, só nos resta vencer a nostalgia desses dias, onde  mediocridade,  mesquinhez,  desamor e presunção, dançam, juntos, o desapiedado balé da morte.

INFORME DESO

1º Leilão Público da Deso acontece em modalidade exclusivamente eletrônica

O reaproveitamento de materiais contribui com o compromisso de sustentabilidade da Companhia

A Companhia de Saneamento de Sergipe – Deso, realizou no último dia 11 de junho, o “1ºLeilão Público” na modalidade exclusivamente eletrônica com transmissão ao vivo e recebimento de lances pelo site: www.rjleiloes.com.br. Foram leiloados 46 lotes dentre eles: hidrômetros, veículos, pneus e sucatas. Os recursos adquiridos no processo serão reinvestidos em ações estratégicas da empresa.

Os bens em Leilão estavam à disposição dos interessados para serem vistos e examinados no período de 7à 10 de junho, por agendamento, nos locais indicados no Edital, respeitando os protocolos sanitários de combate ao Covid-19.

RESULTADOS

De acordo com a Gerência de Compras e Almoxarifado – GCAL, o 1º Leilão da Deso teve um resultado muito importante. Sem dúvida alguma é a forma ideal para a eliminação de objetos inativos da Companhia onde foi possível a participação de quaisquer interessado em adquirir de forma on-line os bens obsoletos e de recuperação antieconômica da Deso, sendo que o resultado desse Leilão é de grande importância, pois com os valores obtidos nas vendas dos bens, poderá ter um reinvestimento em ações estratégicas em benefício da população Sergipana.

Ao realizar o Leilão buscou-se aproveitar e/ou reciclar materiais como: ferro, alumínio, cobre e plásticos proporcionando benefícios ao meio ambiente. Desta forma, a Companhia mantém seu compromisso com a sustentabilidade na redução da poluição, na reutilização de materiais provenientes de recursos naturais e da diminuição da quantidade de materiais destinados aos aterros sanitários atendendo assim de forma sinérgica alguns Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.

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