Blog Luiz Eduardo Costa
Luiz Eduardo Costa
Luiz Eduardo Costa, é jornalista, escritor e membro da Academia Sergipana de Letras e da Academia Maçônica de Letras e Ciências.
Além desse blog, escreve duas páginas dominicais no Jornal do Dia.
O Papai Noel chegou na Papuda, veio do Jaburu
23/12/2017
O Papai Noel chegou na Papuda, veio do Jaburu

Nessa noite de Natal o helicóptero da presidência decolará do heliporto do palácio do Jaburu em Brasília, e fará um curto vôo até a Penitenciária da Papuda, a maior do Distrito Federal. Aterrissará no telhado e dele descerá um Papai Noel baixinho, carregando não um saco, mas apenas uma pasta com um simples papel. O papai Noel irá à Papuda especialmente para fazer uma surpresa aos seus amigos que estão cumprindo pena, ou preventivamente presos naquele conjunto carcerário. Presos, prestes a sofrerem condenações ou já condenados, eles não poderiam receber um presente mais generoso. Trata-se do indulto de Natal assinado pelo presidente Temer, o mesmo que vestiu-se como Papai Noel, talvez até apressadamente, para demonstrar aos seus amigos que eles não estavam sendo esquecidos, muito menos abandonados.

Geddel Vieira Lima, não para de chorar na cela onde se encontra, lamentando a triste sorte de ali estar, e sentindo-se desprezado pelo seu amigo, parceiro e protetor, instalado no posto mais alto da República, enquanto ele, que tanto o ajudou, toma café com pão e manteiga, lava-se num chuveiro com água fria, e usa um vaso para fazer suas necessidades quase à vista de todos os colegas de infortúnio, um deles, ex-senador da República, um outro que chegou há pouco tempo, e nem ainda acomodou-se no colchão duro, no qual jamais imaginou que dormiria, enquanto tinha as vistas voltadas para os altos vôos do poder e da riqueza facilmente acumulada, embora já tenha alcançado os 86 anos.

Geddel andava dando sinais de que poderia fazer uma delação premiada, e contaria tudo o que sabe sobre o amigo que o esquecera. Geddel é um gorducho acovardado cujas adiposidades tremem convulsivamente quando imagina-se condenado a dez, vinte anos de cadeia. Esse mesmo sentimento passaria pela cabeça de Rocha Loures, o portador da mala de 500 mil reais que não chegou ao destinatário. Loures já andava ameaçando revelar quem seria o destinatário do recheio vistoso que transportava.

Por isso e mais algumas coisas, inclusive imaginando que poderia ser o Geddel ou o Eduardo Cunha de amanhã,o presidente da República apressou-se em cobrir-se com a indumentária do bom velhinho, e se dispôs a ir colocar na meia de Geddel, o presentinho por ele tanto ansiado, o seu indulto de natal, que segundo o Ministro da Justiça trata-se de um ato político do presidente da República.

O indulto especificamente dirigido aos presos de colarinho branco, ex-ministros, ex-assessores do presidente da República, beneficia amplamente toda laia de criminosos, desde assaltantes dos cofres públicos protegidos por mandatos eletivos, até assassinos, criminosos de variadas estirpes, até mesmo estupradores, assaltantes de bancos, traficantes, chefes de facções, e ainda ladrões de galinha e batedores de carteira.

Todos eles nos próximos dias estarão passeando pelas ruas, voltando a roubar, a estuprar, a traficar, assaltar e aterrorizar as pessoas honestas, decentes, que vivem tempos de medo e quase terror, e gostariam de receber do presidente um indulto diferente, como o botijão de gás menos caro, um salário mínimo menos escorchante, uma escola sem balas perdidas onde seus filhos possam estudar um hospital onde sejam atendidos.

Muitos deles serão vencidos pelo desengano, pelo desespero, e assistindo criminosos recebendo presentes de um Papai Noel poderoso que os ampara, decidirão empunhar um revolver ou uma faca, e perdendo os valores que aprenderam em casa, nas igrejas, nas escolas, irão para as ruas assaltar, ou farão algo mais promissor, indo disputar um mandato eletivo. Quem sabe, se eleitos, poderão até conseguir uma vaga na Organização Criminosa. Se lá chegarem já sabem, terão toda a proteção do mundo, e se por acaso a perderem, no Natal ganharão um indulto.

Triste país, triste Natal este, em que um Presidente da República se transforma em Papai Noel de criminosos.

E as instituições subjugadas, e a sociedade ressonando num sono abúlico.

Se continuarem assim, indiferentes, omissos, ou acovardados, um dia desses, alguns tanques ligarão seus motores, e rodarão até o Palácio do Planalto tentando resguardar os últimos valores morais que restariam nesta Nação desafortunada. É preciso evitar com ações legais, saídas das instituições responsáveis, que esses tanques liguem os seus motores, porque se o fizerem ninguém poderá prever quando serão desligados.

O ESTADO BURRO, A CAIXA DE SOM E O ÍNDIO OLHANDO O ESPELHO

O Estado brasileiro não é somente corrupto. É, também, substancialmente burro.

Corrupção e burrice se entrelaçam, e dessa coabitação pecaminosa nasce a desastrosa imagem do círculo vicioso do atraso, fantasma que nos persegue, gerando a frustração das ¨décadas perdidas¨. Círculo vicioso foi expressão usada pelo economista sueco Gunnar Myrdal, que no final dos anos 50 abordou com muita pertinência o subdesenvolvimento e suas causas.

Esse entrelaçamento pernicioso não é a patologia de um só governo, ela vem historicamente, contaminando a todos, alguns, conseguiram reduzi-la, e quando o fizeram, o círculo vicioso girou em velocidade menor. É nessas intercorrências do mal que conseguimos avançar.

A corrupção pública é filha dileta da burrice estatal.

Burrice estatal é o conjunto de anomalias toleradas, até exaltadas como exemplos de eficiência administrativa. A burrice começa com o agigantamento da engrenagem burocrática que se faz propositalmente complexa, movida por um emaranhado labiríntico de leis, que só a uns poucos iluminados é facultado penetrar.

Dai, surgem as pompas, as liturgias que envolvem o favorecimento e o patrimonialismo nos templos tantas vezes suntuosos, onde a deusa vaidade é cultuada com espasmos de idolatria. E isso custa caro, atravanca, emperra. Quais são esses templos? A resposta é óbvia: os nossos três poderes.

Longe daqui qualquer vestígio de condenação do aparato de governo tal como o concebemos, de Direito, e Democrático. Bem distante daquela esparrela do neoliberalismo que propõe trocar o Estado pela plutocracia das grandes corporações, iludindo aos incautos com a farsa da liberdade plena para o indivíduo, sem os limites indispensáveis em relação ao interesse público. Nada dessas visões conflitantes entre Estado mínimo e Estado agigantado, apenas, a constatação de que Estado ineficiente, como é no caso o brasileiro, torna-se a causa maior de todas as nossas desditas.

Um Estado eficaz é aquele que tem capacidade de inovar, de estimular a criatividade, de fazer da educação um instrumento atrelado aos objetivos do país, que constrói projetos para o futuro. Um Estado competente tem de ser indutor do desenvolvimento e criador de estímulos para que o empreendedorismo se atrele à inovação.

O Brasil há muito tempo não sabe mais o que é planejamento. Aqui, apenas se improvisa, amontoam-se funções, dispersam-se energias tempo e dinheiro, enquanto as corporações controlam seus espaços e dão-se por bem satisfeitas com o imobilismo. Nem cogitam de mudar, naquela lógica rasteira de que mexer no que está quieto pode despertar ânsias e demandas imprevisíveis.

Aqui, as Universidades na sua maioria ainda não se libertaram daqueles tempos de borlas e capelos, esquecidas do papel fundamental que deveriam desempenhar nos campos da ciência e da tecnologia.

Quantas patentes o Brasil consegue registrar a cada ano? Qual efetivamente a nossa produção científica? Mesmo que se dê o nome de ¨trabalhos científicos¨ às teses de doutorado ou dissertações de mestrado, que apenas revelam o analfabetismo funcional assumindo ares de sapiência, o que se produz raramente ultrapassa o nível da irrelevância.

Grande parte do saber acadêmico está recluso numa carapaça ideológica que o mantém isolado do mundo real, por isso avultam as discussões estéreis, sem resultados práticos.

O Brasil tem há mais de 50 anos uma indústria automobilística, mas na verdade nunca conseguimos produzir com sucesso um só veículo efetivamente brasileiro. Todos os países que têm indústria automobilística fabricam modelos resultantes da sua própria tecnologia. O Brasil é o único que até hoje não conseguiu fazer isso.

Nos tempos em que éramos uma grande fazenda produzindo café, cacau, açúcar, nos contentávamos a exportar e pouco manufaturar. Resultado, países que nunca viram um pé de café ou de cacau, como a Suíça, a Dinamarca, a Itália, a Bélgica, a Alemanha, sofisticaram a oferta final do café, do cacau, inventando novas formas de apresentá-los ao consumidor, agregaram valor ao que fazem, conquistaram mercados criando hábitos, e inventaram equipamentos que fazem mais atraente o consumo do café e do chocolate. Criaram redes globais de cafeterias, tipo Star Buck. Assim, faturam muitas vezes mais do que todos os exportadores de café e cacau brasileiros, colombianos, e do resto do mundo.

Nos últimos 30 anos o mundo viveu uma gigantesca transformação tecnológica. No Brasil existem hoje mais celulares do que gente. Qual o celular, um único apenas, que tenha sido resultado da tecnologia brasileira, feito com peças brasileiras?

Mas cortam-se verbas para a pesquisa, para a ciência. Laboratórios estão fechando, centros de pesquisas paralisados, programas de intercambio interrompidos.

Os ¨paredões¨, aquelas parafernálias de som montadas em veículos com as explosivamente estridentes caixas, ou os tão cobiçados sistemas mais sofisticados de som nas casas ricas, mais simples nas casas pobres, breve, serão peças de museu, como já são os telefones fixos. A entrada em cena das mini-caixas, operadas por Bluetooth que têm qualidade e potencia superiores aos volumosos aparatos, tornam tudo o que existe em matéria de som, rigorosamente obsoleto.

Qual a efetiva participação da tecnologia brasileira nessa transformação tecnológica no mundo da eletrônica, da cibernética, e em tantos outros setores que engavetam no passado tudo o que até agora conhecemos, inclusive as grandes bibliotecas e livrarias convencionais, que irão desaparecer. Os livros estão sendo rapidamente substituídos por algo como se fosse um tablet, cada um com capacidade para armazenar milhares de grossos volumes. Isso, por enquanto, porque vem por ai para incorporar-se ao nosso cotidiano a nova era da física quântica.

Qual a participação brasileira nesse novo mundo, nessa nova sociedade que já começamos a viver? Nenhuma. E os nossos políticos na sua vergonhosa maioria, os que estão agora no Planalto, o que discutem?

Resposta obvia: Como deter o que chamam de ¨sangria¨ da Lava Jato. E, aliás, estão conseguindo. Outros, anunciando a paz que conquistaremos dando a cada ¨cidadão¨ brasileiro uma arma para que se proteja, ou extermine.

500 anos depois que nas praias da Terra Brasílis, os índios contemplavam espantados a ¨mágica¨ de espelhinhos que os europeus lhes davam como presentes para divertí-los e aquieta-los, estamos tão embasbacados como os nossos distantes ancestrais diante das “quinquilharias” da modernidade que usufruímos, e de cuja “mágica“ nem temos noção, da mesma forma que os selvagens não se conheciam nos espelhos.

Enquanto isso, por pouco, não fosse à reação imediata da Aeronáutica, teríamos vendido a EMBRAER.

Por aqui, há muito ¨índio¨ esperto, querendo receber de ¨presente¨ os espelhinhos.

O diabo é que esses ¨índios¨ nos comandam.

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AS ASAS DA FAB EVITARAM O DESMONTE DA EMBRAER

(KC-390, avião fabricado pela Embraer)

Suspeita-se que tenha havido o dedo esperto de um ministro do atual governo nessa anunciada compra da EMBRAER pela Boeing. Houve imediata insatisfação nos comandos militares, mais intensamente na Força Aérea. A EMBRAER é considerada estratégica, diretamente ligada à segurança nacional. Além de aviões militares tem também participação em outros projetos na área da defesa, é a única empresa que nos resta do complexo de indústrias bélicas que já foi portentoso e fez do Brasil um exportador de armas, como carros de combate e o lançador de foguetes Astros, utilizado intensamente na guerra Iran-Iraque.

A EMBRAER é a joia da nossa pobre coroa de empresas de alta tecnologia. Criada no governo militar, a empresa, ainda estatal, começou produzindo aviões monomotores de pequeno porte, depois, o bimotor Bandeirante, que enfrentou alguns problemas técnicos, como as turbinas que fundiam quando não se reduzia rápido a potencia após a alta aceleração nas decolagens. Corrigidas as causas, o Bandeirante usado principalmente pela FAB e algumas pequenas empresas de transporte aéreo tornou-se um símbolo de sucesso do renascimento da indústria aeronáutica brasileira, que existiu antes, por iniciativa de particulares, entre eles o milionário e play-boy, Baby Pignatari que produziu centenas de ¨Paulistinhas¨, os aviões mais utilizados no treinamento básico de pilotos nos Aeroclubes.

A EMBRAER foi privatizada em 94 no governo de Itamar Franco. Foi vendida a investidores brasileiros. Itamar era um político livre das sequelas da corrupção, precavido, manteve uma pequena participação do governo na empresa através da Golden Share, a ação que assegura ao possuidor o direito de dar a última palavra sobre a empresa, como no caso de uma venda a controladores estrangeiros.

A EMBRAER é a única empresa brasileira global de alta tecnologia, e terceira maior fabricante de aviões do mundo. Especializou-se em jatos de médio porte para a aviação comercial, e nesse setor é líder em vendas. Na área militar o Tucano, em duas versões, é um turbo hélice monomotor, usado para ataque ao solo, interceptação aérea e treinamento avançado de pilotos. É utilizado pela FAB e forças áreas de mais de 30 países, inclusive os Estados Unidos. A EMBRAER vai participar em associação com a indústria sueca na fabricação dos caças de última geração, Grippen, adquiridos pelo governo brasileiro.

O mais ambicioso projeto da empresa é o avião de grande porte para uso em operações militares ou civis, transporte de tropas, equipamentos, lançamento de paraquedistas, o jato de duas turbinas KC- 390, já em estágio final de testes. Para este avião único já existem contratos para os próximos dez anos. A FAB encomendou uma frota que vai substituir os quadrimotores, Hércules, com mais de 40 anos em uso.

A entrada da Boeing da forma como se anunciava seria uma espécie de negociata lesa-pátria, porque transferiria para estrangeiros o controle de uma parte vital da estratégia de defesa brasileira e de evolução tecnológica. A EMBRAER foi gestada como assunto de estado maior na Força Aérea, sob inspiração do coronel aviador e engenheiro Osíris Silva, que a dirigiu por mais de 20 anos de notável expansão.

A EMBRAER tornou-se uma espécie de plataforma de pesquisa e tecnologia à disposição não só da FAB, mas também da Marinha e do Exército. Avançou em tecnologias aeroespaciais, de guerra eletrônica, em projetos de mísseis, satélites, radares de alta performance. A empresa não é apenas uma fabricante de aviões, é muito mais do isso, tem um alto significado, não só como alimentador de uma autoestima nacional, como também na consolidação da imagem externa do Brasil, como um país avançado tecnologicamente, o que, de forma mais ampla, confere um selo de qualidade aos nossos produtos de exportação Industrializados.

A Boeing não é uma empresa qualquer, e tanto ela como os controladores da EMBRAER sabem que o governo teria a ultima palavra sobre a venda. Se executivos da Boeing e da EMBRAER iniciaram negociações, é porque receberam sinal verde para fazê-las vindo de autoridades do governo. A Boeing, maior empresa aeronáutica do mundo mantém relações diretas e preferenciais com o Pentágono e a Casa Branca. Seria ingenuidade imaginar que o foco na EMBRAER seria apenas isoladamente da Boeing e não estivesse atrelado a uma política de Estado, entre tantas outras nada ortodoxas postas em marcha por Donald Trump, que não se cansa de repetir: “America First¨.

Transferir o controle da EMBRAER para a Boeing seria um ato de rendição submissa aos interesses hegemônicos de uma potencia, com a qual poderemos fazer bons negócios, desde que não envolvam os objetivos estratégicos do Brasil, que são modestos, exatamente porque não temos umas 30 empresas como a EMBRAER, sob nosso exclusivo controle.

Corre em Brasília a versão de que executivos da Boeing circularam pelas residências do Poder. Não estiveram no Jaburu à meia noite, mas foram recebidos em moradas de ministros. Suspeita-se que Moreira Franco seria um deles. Os setores de informação da FAB teriam acompanhado sob suspeitas essas movimentações.

Debaixo dos aplausos da maior parte da grande mídia, com o aval pleno do mercado financeiro, que não tem pátria, imaginaram que o negócio seria fechado tranquilamente, como fizeram com as petroleiras estrangeiras dando-lhes escandalosas isenções tributárias, que, em qualquer parte do mundo não selvagem, teriam sido objeto de investigações.

No caso da Boeing pensaram que não se repetiria a onda do ¨nacionalismo pernicioso¨ quando tentaram, daquela vez sob inspiração de Romero Jucá, entregar uma parte da Amazônia para a depredação espoliadora das mineradoras daqui, e do mundo afora.

Mas ai vieram as ¨asas da FAB¨, com o aval da Marinha e do Exército. E o negócio melou.

Então, o ministro da defesa, Raul Jungman, lembrou-se do posto que ocupa e falou, dizendo que não era bem assim. Moreira Franco gaguejou, sem dizer nada. E Temer, elogiou primeiro a Boeing, fez uma declaração de amor ao capital estrangeiro para depois assegurar que a EMBRAER não seria vendida. E transferiu a responsabilidade pelo andamento das negociações à área militar, à FAB especificamente.

A ESCOLA SEM PARTIDO É A MORDAÇA DO RETROCESSO

Essa ideia de Escola Sem Partido surge revestida por um manto suposto de boas intenções. Se pretenderia evitar que nas escolas haja o proselitismo político. Isso se fosse somente isso, seria inegavelmente positivo. Mas o que na verdade se propõe de forma sub-reptícia é impedir na escola o livre transito das ideias, o debate, a discussão sobre todos os temas, com liberdade plena de expressão. No espaço do saber o Estado não pode surgir impondo limites para a liberdade de pensar, tornando única a narrativa dos professores, exercendo censura sobre o pensamento e a liberdade de escolha, inclusive a política.

É necessário, até imprescindível, que se leve o debate político para as escolas, desde que não seja sob o viés exclusivo de uma só ideologia, ou de religião. A escola forma cidadãos, e a cidadania plena exigem cidadãos informados que a fortaleçam. Escola sem partido é a máscara para o objetivo maior que seria a escola que não pensa. E pensar a política, discutir a política é tão essencial como qualquer matéria curricular, desde que não seja uma matéria que se sobreponha às demais.

A matemática não invade o espaço do português do desenho, da historia, da geografia, já a grande política nas escolas deveria ser o pensamento operando em tempo integral, e através dele chegando-se a uma visão sistêmica do conhecimento e da sociedade. Para que isso aconteça não se pode impor restrições à Cátedra, mas a responsabilidade que recai sobre os mestres deve deles retirar a tendência de formar militantes. Mas essa é uma questão a ser discutida em cada escola pelo conjunto de docentes e discentes.

E é evidente que não se irá falar sobre temas políticos, filosóficos, ou sobre sexo e gênero no Jardim de Infância.

A visão da Escola sem Partido é na sua essência, fascista, totalitária, mesquinha, um ranço da escolástica, um cheiro de Idade Média distante do Renascimento.

LIVROS, LIVROS, LIVROS

(O acadêmico Domingos Pascoal)

É preciso mais espaço agora para que se dê notícia, se comente tantos livros lançados na praça. E estamos diante de uma safra copiosa e de boa qualidade. Já se disse que em tempo de crise as pessoas são instigadas a pensar, a produzir. No caso específico da literatura, as fornadas saídas no calor das crises, das guerras, passaram à História como espasmos da genialidade no meio do acirramento da insensatez humana.

A nossa crise, essa atual e brasileira, é fruto da mediocridade em estado puro de corrosivo esfacelamento social. Daria para suscitar todos os temas, desde a sociologia, política, economia, à psicopatologia das massas, das gentes. Mas ai seria uma chatice, surgiriam aquelas maçarocas acadêmicas, a busca infrutífera pela verdade de cada um, restrita ao espaço do individualismo, ou de grupelhos arrogantes.

A literatura é o que alivia essas tensões humanas, porque não cabe em regras ou modelos, e a tudo ultrapassa pela capacidade de passar do real ao fantástico, ao surreal. Para a nossa crise, tão repleta de mediocridades e grotescas bizarrices, se assim se pode dizer, seria melhor uma pornochanchada, do tamanho do nosso ridículo.

Ah se a vida fosse apenas literatura, mas a literatura vai além da vida.

Já observou alguém que a arte não é necessária, mas o que seria da vida sem a arte.

E a arte da palavra parece suprema. Porque influi, conduz, sugere, inspira, e às vezes até antecede a História.

Em várias religiões Deus mistura-se com a Palavra.

Assim, é bom quando numa comunidade se quebra a letargia da ausência da palavra e surgem os que se dispõem a fazê-la, escrita.

É o que sucede agora entre nós, em Aracaju, no interior. Em Itabaiana, firmou-se no calendário nacional uma Bienal do Livro, coisa inimaginável numa cidade de gente dedicada a comprar, vender, trocar, fabricar, plantar, colher, rodar o mundo em caminhões. E surgem tantas academias interioranas. E nisso tudo não se pode esquecer a militância de um ator cultural chamado Domingos Pascoal.

Por isso, a partir de agora, esse box antes esporádico neste blog, sob o título Livros Livros, Livros, se tornará permanente, para exatamente falar sobre livros, os nossos, sergipanos, e os de outras terras.

O CIRURGIA DE VOLTA

(Almeida Lima, secretário de Estado da Saúde)

O que haveria mesmo por trás da crise no Hospital Cirurgia reincidente é melhor mesmo que nem se saiba, desde que o velho e tradicional hospital, saído da vontade criadora do médico Augusto Leite, escola e palco por onde médicos generosos e rigorosos com o dever passaram e foram protagonistas, volte a ser o que já foi.

No Cirurgia um hospital na origem concebido como exclusivamente filantrópico, quando faltava dinheiro, disso não se fazia motivo para troca de acusações, mas logo se formava uma corrente de solidariedade, onde a sociedade participava para ajudar, sem as duvidas suscitadas por suspeitas quanto à boa utilização do dinheiro. Para a manutenção do Cirurgia juntavam-se todos.

Os municípios mandavam seus doentes para o quase único hospital que poderia atendê-los. Havia sempre a destinação de recursos, tanto do Ministério da Saúde como garimpados ainda na área federal por senadores e deputados, que sabiam não existirem no Cirurgia partidos ou interesses eleitorais.

Hoje, existem o João Alves, HUSE, e muitos outros em Aracaju e no interior. Os recursos se distribuem entre todos, mas o Cirurgia não perdeu sua importância, nem deixou de merecer verbas federais, estaduais e do município. E cobra, quando pacientes podem pagar.

Em face de tantos problemas, de tantas crises sucessivas, os MPs federal e estadual, resolveram meter oportuna e providencialmente o seu bedelho. Analisados e reanalisados os aspectos da crise, decidiu-se com anuência tanto do governo do estado como da Prefeitura de Aracaju, que a Secretaria de Estado da Saúde, assumiria a responsabilidade pelo nosocômio (que palavra antiga) para que não fossem parar na necrópole, (outra palavra velha) tantos pacientes do Cirurgia que, não atendidos naquele hospital, iam terminar no cemitério, ou seja, transitavam do nosocômio para a necrópole.

Essa tragédia humana resultante da paralisação esporádica do Cirurgia, parece que agora finalmente cessou. O Secretário Almeida Lima assumiu uma responsabilidade extremamente complexa, mas garantiu que poderia desempenhá-la. Semana passada Jackson percorreu o Cirurgia para ver uma nova ala com mais leitos funcionando e as operações cirúrgicas voltando a acontecer.

Alívio que, espera-se, não seja apenas passageiro.

UM DESABAFO EM ITABAIANA

(Inaugurada a unidade do Ceac em Itabaiana)

Na tarde de quinta-feira, 21 foi inaugurado o CEAC em Itabaiana. Segundo o empresário Messias Peixoto, que recentemente inaugurou o shopping, o segundo do interior sergipano, o centro de atendimento complementa os serviços prestados pelo shopping e irá intensificar ainda mais a movimentação nas lojas e na praça de alimentação.

Messias agradeceu ao governador que atendeu uma reivindicação do município, polo maior de desenvolvimento no agreste sergipano. O secretário de planejamento e gestão Rosman Pereira mostrou números relacionados ao CEAC. Atenderá um público em Itabaiana e no entorno, de aproximadamente 400 mil pessoas, oferecendo 130 tipos de atendimento nos 30 pontos de prestação de diversificados serviços, desde emissão de carteiras de identidade e motorista, a correios, agencia do Banese, entre outros.

Jackson fez quase um desabafo ao dizer que o seu estado psicológico naquele dia estava péssimo, com uma sensação forte de desânimo e decepção, do qual só livrou-se ao receber um telefonema muito encorajador do presidente da Assembleia deputado Luciano Bispo, um amigo com quem conta sempre, que estivera com ele em Brasília o acompanhando um dia inteiro, ao findar-se um périplo pelos ministérios, sucessivas visitas à Caixa Econômica, à Câmara dos Deputados, terminando com a reunião com o ministro Marun, que lhe disse secamente: ¨O empréstimo da Caixa sairá depois do dia 19 de fevereiro quando for votada na Câmara a reforma da previdência. E o governo precisa de votos¨.

Ouvir isso depois de tudo acertado, de vencidos todos os obstáculos, de ter a aprovação plena da Caixa para o empréstimo de 560 milhões, foi como sentir-se apunhalado, disse JB, porque Sergipe já aprontou todos os projetos para iniciar a construção das novas estradas e recuperação da rede estadual, em alguns pontos muito deteriorada.

Diante do obstáculo e da situação financeira que atravessa Sergipe, que chegou ao extremo com a redução do fundo de participação da ordem de quase 150 milhões de reais, e a ocorrência, este mês, de uma queda grande e surpreendente no repasse de recursos, JB disse que vai pensar mito no fim de semana sobre a posição política que deverá tomar diante do governo federal, levando em conta apenas os interesses de Sergipe.

AS UVAS DA CONCORDIA

(Uvas dos projetos Califórnia)

De uma emenda em termos de valor inexpressiva, todavia em termos políticos recheada de bons exemplos, surgiu a possibilidade de uma boa safra de uvas em 4 lotes irrigados dos projetos Califórnia e Jacaré-Curituba, em Canindé e Poço Redondo.

Poucos recursos tornaram possível o ¨milagre¨ das uvas sertanejas, algo previsto e tentado há quase 30 anos por João Alves, ao iniciar a instalação do Projeto Califórnia, concluído no governo Valadares, quando era secretário da agricultura o agrônomo Paulo Viana, que nunca tirou as uvas da cabeça.

A primeira safra já está em curso e o governador Jackson Barreto aprovou a doçura das uvas de Canindé e Poço Redondo. Para que a safra acontecesse, foi primordial a atuação da COHIDRO, uma empresa do estado com presença decisiva no Califórnia e no semiárido, da EMBRAPA, que conferiu qualidade técnica, da CODEVASF, das Prefeituras de Canindé e Poço Redondo.

Fica, no sucesso, o exemplo de que em vez de ¨trocar socos¨ é melhor juntar as mãos num mesmo e suado esforço, ou gesto de cooperação. Daí porque, tanto o senador Valadares como o deputado Valadares Filho, autores da emenda das uvas, deveriam começar a pensar como poderiam redirecionar aquela outra emenda portentosa de 300 milhões para o Canal de Xingó, uma esperança distante, e aplicá-los em ações no semiárido.

Sentariam todos à mesa, adoçariam a boca com as uvas, desarmariam os espíritos, esqueceriam a eleição, e Jackson, Belivaldo, secretários, prefeitos, discutiriam com Valadares pai e Valadares Filho, sem mágoas nem ressentimentos, porque acima de tudo estaria o interesse de Sergipe, onde poderiam, juntos, fazer surgirem novas ¨uvas¨ no semiárido sergipano. Que o clima do Natal sugerindo paz e entendimento os inspire.

SEMELHANÇAS ENTRE MICHEL TEMER E PAULO SALIM MALUF

(Paulo Maluf e Michel Temer)

Entre Michel Miguel Lulia Temer e Paulo Salim Maluf, há muitas similitudes e algumas diferenças. O que mais agora os separa é a distancia entre o Palácio do Planalto onde um está, e a penitenciária da Papuda onde está o outro. São hóspedes transitórios nos dois locais, tendo, desde que cumpridos exatamente os ritos da lei, data e hora certa para saírem, sujeitos a algumas variações. Para Temer, as circunstâncias ou contingências da imprevisibilidade política, para Maluf, o humor dos procuradores e juízes, ou o percurso pelas exigências das leis e regras das execuções penais.

Temer gostaria de alongar a permanência, Maluf ansioso por abreviá-la. Nisso diferem. Um terá saudades do lugar onde estava, outro dele só guardará amargas lembranças. Temer estará preocupado e triste em janeiro de 2019, quando deixará o Planalto e começará a viver a perspectiva de ingresso na Papuda. Maluf que lá está, vive ansiosos dias esperando a hora em que passará pelos portões, fazendo o caminho da liberdade.

Temer e Maluf são políticos paulistas. Descendem de imigrantes sírio-libaneses, têm uma longa carreira política, vários mandatos na Câmara Federal.

O que mais agora os aproxima é a equidade ou isonomia entre decisões na Câmara Federal.

Temer, acusado pela Procuradoria Geral da República duas vezes, e duas vezes acolhidas as acusações pelo Supremo Tribunal Federal, por exigência da Constituição, somente se tornaria réu, com a licença concedida pela Câmara para a instalação do inquérito. Por duas vezes a licença foi negada. O argumento: Temer cometera os supostos crimes durante a vigência do mandato, e por isso teria a imunidade do cargo, somente podendo tornar-se réu, ao deixar o Planalto, dia primeiro de janeiro de 2019. Se os supostos crimes fossem cometidos antes do mandato, Temer teria a mesma imunidade.

Maluf cometeu os supostos crimes há mais de 30 anos quando Prefeito de São Paulo.

É deputado federal, e está protegido pelo mesmo insidioso instituto do foro privilegiado e da imunidade parlamentar. Há a circunstância a ser considerada de que já era processado antes, quando a Justiça eleitoral abriu-lhe as portas para concorrer à Câmara Federal com sucesso e muitos votos, por várias vezes.

Mas, se seguidos os critérios adotados para livrar Temer da Justiça pela Câmara Federal e o mesmo que se fez em relação a Aécio Neves no Senado, a Câmara teria de invalidar a decisão do Supremo, e mandar soltar Paulo Maluf, além de manter-lhe garantido o mandato.

A que ponto de degenerescência institucional chegamos, depois que o STF sujeitou-se ao papel de mesmo sendo Supremo Tribunal, sofrer o constrangimento de ter decisões revistas por um outro poder.

Os que se opõem ao presidente, quase o Brasil todo, gritam faz tempo o Fora Temer, querendo vê-lo saindo do Planalto e ingressando na Papuda. Já os que apoiam Maluf, e não são poucos em São Paulo, poderão começar a gritar: Fora Maluf, querendo vê-lo deixando a Papuda.

Que tempos burlescos estes que vivemos.

O SINTESE SABE SER JEITOSO

(Deputada Ana Lúcia e membros do Sintese)

O SINTESE não apenas bate panelas naquele entusiasmo febril dos seus aguerridos militantes. Convenhamos, o SINTESE tem raras habilidades para dar ressonância ao seu bater de panelas. O SINTESE sabe bem calcular o tamanho das imaginadas brechas políticas, e por elas criar espaços, não exatamente batendo panelas, mas jeitosamente fazendo sinuosas insinuações.

Os professores tão espezinhados que são ao longo do tempo, num país que ainda não aprendeu a construir merecidos pedestais para eles, os mestres, necessitam ter, sem duvidas, um Sindicato atuante e forte que os represente.

O SINTESE cumpriria exatamente essa esperada missão, se não estivesse envolvido em projetos eleitorais, prestasse contas regular e publicamente da dinheirama vistosa que recebe, e tratasse também de cuidar de resultados possíveis, beneficiando a classe com os recursos que dispõe, cancelando a opção pelos gastos que rendem mandatos.

Difícil, porém conceber um SINTESE assim virtuoso e efetivamente preocupado com uma educação que dê frutos, que forme cidadãos, que livre Sergipe do analfabetismo completo ou funcional que nos envergonha. Existem aqueles dogmas ideológicos que traçam o rumo para uma educação voltada para formar militantes, uma espécie de milícia bem doutrinada para ¨demolir o capitalismo¨. Coisa cada vez mais esquecida nos desvãos da História que é dinâmica, embora alguns insistam na crença de mecanismos únicos e previsíveis que estariam a movê-la em direção aos seus próprios objetivos.

Cada um alimenta o sonho ou o pesadelo que preferir. Mas acontece que o pesadelo em que se transformam sonhos ideológicos, trazem consigo o fantasma apavorante da educação supostamente popular, sendo transformada numa didática ou pedagogia nos laboratórios experimentais em que planejam fazer das escolas, quartéis dos seus soldados doutrinadinhos ingenuamente por uma narrativa cujos resultados práticos para o SINTESE, se resumem à sobrevida dos seus lideres, e ao prolongamento de mandatos que conquistam. Quanto a resultados, o povo, o pobre que tem filho na escola pública que se lixe, que se dane.

Não é racionalmente admissível que o discurso do SINTESE seja o indicador único do caminho certo, nesse desafio permanente que é feito, as vezes de forma agressiva e grosseira a todos os governos, prefeitos, a todos os secretários da educação, tornando difícil um dialogo civilizado. É sempre útil, embora constrangedor, recordar que o SINTESE e sua deputada, carregaram antecipadamente o ¨caixão¨ de Marcelo Déda, que pouco depois estaria num esquife verdadeiro.

O SINTESE assustou-se com a instalação das escolas em tempo Integral, a maior conquista do atual governo na área da educação. Assustou-se, porque havendo resultados reais, se perde o discurso, se dissolvem os seus argumentos. E os resultados existem, as famílias, os alunos, os professores, os sentem, e os aprovam.

Mas o SINTESE distorce a realidade, e agora seus dirigentes não batem panelas, mas sussurram a alguns ouvidos. Se o programa das escolas em tempo Integral que não deve ser de um só governo, for cancelado, por timidez ou equivoco, o SINTESE voltará a bater suas panelas, quando a desesperança voltar aos estudantes, aos seus pais, à sociedade, cada vez mais descrente.

LOS HERMANOS ESTÃO CHEGANDO A SERGIPE

(Argentinos desembarcam em Sergipe)

Depois dos vôos diretos Aracaju-Salvador-Buenos Aires, ida e volta, os ¨hermanos¨ argentinos começam a circular em Aracaju. Já são vistos pelo cânion de Xingó, pelas praias do sul. Pelos antagonismos na área do futebol, os argentinos começaram a ser vistos com algumas reservas, em alguns locais do país até hostilizados, talvez pela forma expansiva e o alarido que fazem os seus grupos, aliás, o mesmo comportamento de turistas brasileiros pelo mundo afora.

Na Argentina os brasileiros são recebidos até de forma afetiva. O mesmo já se faz em praias do sul, Santa Catarina principalmente, onde desembarcam multidões de argentinos. Os cearenses aprenderam a cativá-los a descobrir melhor os gostos dos ¨hermanos¨. Nos bares da orla de Fortaleza, onde sempre há shows de humoristas cearenses, aliás, o humor cada vez mais é a especialidade daqueles cabeças chatas notáveis, pois bem, naqueles bares os guias turísticos se especializam em traduzir para os argentinos o significado daqueles jargões ou das jocosas expressões usadas pelos artistas do riso. E como riem os portenhos.

Por aqui precisamos cercar de gentilezas os argentinos, com naturalidade, sem afetação, apenas exercitando a afabilidade do sergipano com todos que nos visitam. O veio argentino pode ser um frutuoso caminho para o turismo sergipano, agora que se conseguiu esse vôo, nos aproximando dos ¨hermanos¨. Eles gostam muito quando ouvem um brasileiro dizer que depois de Pelé o jogador que mais admira é Maradona, e invertendo os termos repetem a frase, devolvendo a gentileza.

Fábio Henrique o secretário do turismo que trabalhou para conseguir o vôo, Aracaju-Buenos Aires, acredita que o fluxo inicial poderá crescer muito, desde que aqui se construa um clima receptivo que agrade e seja vocalizado na volta por todos os que agora chegam. Houve uma comitiva de hoteleiros e agentes de turismo que foi a Buenos Aires, divulgou Sergipe, fez parcerias com agencias argentinas e aqui estiveram jornalistas da Argentina que percorreram as praias, caminharam muito em Aracaju, foram ao cânion de Xingó e escreveram nas colunas especializadas em turismo coisas muito positivas para Sergipe, um novo destino que se abre para eles. O negócio do turismo por aqui, que não é mais apenas incipiente, sabe como aproveitar a oportunidade que surge.

UM MENINO MANOEL E QUE VIROU FOGUETE AOS 14 ANOS

(O empresário Manoel Foguete)

Antônio Manoel de Carvalho Neto é nome que lembra certamente o grande jurista sergipano, mas o empresário Manoel Foguete, seu bisneto, tem o mesmo nome do bisavô, o jurista pai da sua avó paterna Celina Carvalho Leite, esposa do senador Leite Neto, um dos principais lideres políticos de Sergipe entre as décadas dos 30 a 60, quando faleceu, apenas iniciando o mandato, que foi completado por um tio de Manoel, José Leite, por duas vezes governador de Sergipe.

Pelo lado materno a mãe de Manoel, a professora doutora Lilian Wanderley também traz a ascendência de cearenses ilustres, alguns senadores, desembargadores. Mas um menino de 14 anos filho do casal Lilian-Silvio Leite, ele suplente de senador de Lourival Baptista, resolveu fazer vôo solo à margem das biografias de tantas consanguinidades ilustres, e se fez empresário, quando nem sequer poderia frequentar uma festa noturna.

Conseguiu um espaço na Rodoviária recém construída, e lá montou um fliperama. Começou a ganhar dinheiro e foi expandindo o negócio. Chegou a Salvador, e ai apareceu o vídeo-pocker. Era uma oportunidade maior de faturar mais, e o menino Antônio Manoel de Carvalho Leite já conhecido por Foguete, e emancipado aos dezesseis anos para melhor comandar seus negócios, não perdeu tempo.

Segundo ele, o dinheiro entrava a rodo, mas aí sua tia e sempre zelosa conselheira, a desembargadora Clara Leite Rezende lhe telefonou perguntado: ¨Manoel você não está nesse negócio de jogo de azar, está?, Não quero você nisso não, viu. ¨Manoel responde constrangido que só operava mesmo com fliperama, e na mesma hora saiu a fechar as lojas de vídeo pocker. Deixou de ganhar dinheiro, mas o negócio que surgia florescente, em menos de um ano depois foi proibido e fechado. Nesse tempo, ele já havia vendido às máquinas.

Neste ano que chega, Manoel Foguete, um senhor que começa a ter cabelos brancos e é avô, comemora 40 anos de atividade empresarial. Nesse tempo, construiu a maior empresa de receptivo de Sergipe, uma das maiores do nordeste, centralizada no Cânion de Xingó, com uma frota de lanchas, iates, escunas, catamarãs e ônibus, além de diversos restaurantes em Sergipe e Alagoas.

O centro de tudo em Canindé é o complexo de Carrancas e um Eco-Parque em Poço Redondo. Há projetos de hotéis em andamento e um parque temático em Canindé. Manoel lida ainda com empresas de locação de veículos e já lidou com Táxi Aéreo e empresa de construção, preferindo agora concentrar-se no turismo.

O menino que aos 14 anos começou a correr nos negócios e logo recebeu o apelido de Manoel Foguete, até em consequência do nome, passou esses 40 anos acelerando o ritmo.

O NATAL DE SANGUE EM GAZA

(Gaza: Palestinos fogem das áreas de conflito)

Já voltaram a morrer às dezenas os palestinos, na revolta que iniciam contra a desastrada decisão de Donald Trump reconhecendo o direito de Israel a fazer de Jerusalém sua capital, única e indivisível. Recebeu a condenação do mundo, foi desaprovado maciçamente pela ONU, e o Brasil incluiu-se entre os que condenaram o gesto, felizmente.

A paz, essa perspectiva distante para o Oriente Médio agora se torna uma meta inalcançável. Nos guetos onde estão espremidos, da faixa de Gaza e Cisjordânia, os palestinos vivem esmagados pela poderosa máquina de guerra do Estado de Israel que lhe nega o direito a ter um país independente na Palestina que deveria ser dividida entre judeus e árabes, todos originários do mesmo lugar.

Os judeus que sofreram as consequências do terror nazifascista que os exterminou nos guetos e nas câmaras de gás, sabem muito bem o que é ser um povo oprimido.

Por que então não caminham juntos judeus e palestinos em direção à paz?

Quando ensaiam a caminhada surge um Trump, que se diz cristão e se faz instrumento da desunião e da guerra, e vai manchar de sangue este Natal na Palestina.

AS PRAIAS POLUÍDAS E AS CIDADES QUE FEDEM

(Poluição no Rio Poxim)

A Folha de São Paulo publicou uma abrangente pesquisa sobre a balneabilidade nas praias brasileiras, o que quer dizer o mesmo que uma constatação numérica e precisa dos índices de poluição através dos quais se classifica a qualidade da água, se próprias ou impróprias para o banho.

A pesquisa detalhou as condições vigentes em cada uma das praias mais procuradas pelos banhistas, e constatou algumas calamidades, principalmente no nordeste, onde houve piora nas condições de praias cearenses, baianas e pernambucanas.

No sul, principalmente em Santa Catarina, houve melhoras, e no leste reduziram a poluição algumas praias do Rio de Janeiro. No nordeste, em Alagoas, quase todas as praias foram bem classificadas à exceção daquelas próximas à Maceió.

A pesquisa sem motivos alegados excluiu as praias do Pará, Amapá, Piauí e Sergipe. Isso não contribuiu para esclarecer melhor os turistas, até porque as condições das praias sergipanas ainda não são ruins, excetuando-se aquelas no entorno do estuário do Sergipe, um rio altamente poluído pelas descargas de esgotos e indústrias de Aracaju.

O Secretário do Turismo Fábio Henrique, disse que vai procurar informações sobre os motivos que levaram Sergipe a ser excluído da pesquisa.

O caso da poluição do rio Sergipe, vem sendo uma espécie de quebra-cabeças nunca resolvido. Ampliaram-se as redes de esgotamento sanitário em Aracaju, novas redes estarão concluídas no início do novo ano, e o índice de poluição na 13 de Julho, nos Jardins, no Garcia, ao longo dos canais que cortam a cidade, cada dia piora, o que se constata pela fedentina insuportável que se espalha por vários bairros.

O diretor-presidente da DESO, engenheiro Carlos Melo, refere-se a um diagnóstico bastante realista sobre o problema que tem em mãos e diz que redes de esgotos com tratamento assegurado, não irão resolver o problema enquanto não se fizer um mutirão para cortar ligações clandestinas de esgotos com a rede pluvial, ou com descargas diretas no rio Poxim, no Sergipe e nos canais.

O engenheiro Carlos Melo sugere uma ação conjunta do Governo do Estado, das Prefeituras de Aracaju, Barra dos Coqueiros, Nossa Senhora do Socorro, São Cristovão e Itaporanga, com a participação de órgãos federais como o IBAMA, até a Polícia Federal, se necessário, e a presença indispensável do Ministério Publico Estadual, também do Ministério Público Federal, dando respaldo às ações que terão de vencer resistências dos que já se acostumaram em praticar o crime ambiental.

Só com uma ação nessas dimensões e à médio prazo, se chegará a ter praias e rios limpos, e sistemas de esgotamento sanitários eficientes, com a consequência de uma cidade capaz de ostentar o titulo da qualidade de vida. Até que isso aconteça, vamos continuar tapando o nariz, e evitando, principalmente, as águas do Sergipe e do Poxim.

BANESE INFORMA: NOTA DE ESCLARECIMENTO SOBRE O RATEIO DE ICMS

O Banco do Estado de Sergipe S.A., em respeito aos seus clientes, acionistas e público em geral, vem prestar os esclarecimentos sobre notícias veiculadas citando o BANESE quanto aos valores de ICMS repassados para os municípios sergipanos.

O BANESE ASSEGURA E REAFIRMA que cumpre rigorosamente com a sua função de agente repassador dos recursos de ICMS informados aplicando fielmente os índices.

Destacamos que o BANESE não tem qualquer responsabilidade na definição dos valores e dos índices que são utilizados, respectivamente, para o rateio do referido tributo.

A REGULARIDADE dos procedimentos adotados pelo BANESE foi atestada pelo Tribunal de Contas do Estado de Sergipe (Certidão 2272/2017/DITEC) e pela Secretaria de Estado da Fazenda – Sergipe (Ofício 350/2017).

O BANESE lamenta a atitude equivocada, que expõe negativamente a imagem de uma instituição que representa importante patrimônio do povo de Sergipe.

Atenciosamente,

Diretoria Executiva Banese




 

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