Luiz Eduardo Costa
Luiz Eduardo Costa, é jornalista, escritor e membro da Academia Sergipana de Letras e da Academia Maçônica de Letras e Ciências.
Além desse blog, escreve duas páginas dominicais no Jornal do Dia.
BOLSONARO TENTOU ACERTAR, O "POSTO IPIRANGA" NÃO DEIXOU
05/01/2019
BOLSONARO TENTOU ACERTAR, O

Imposto sobre Operações Financeiras, o IOF, que aliás quase inexiste no Brasil, é, na verdade, o único tributo que nos faz imensa falta e que pode ser aumentado, desde que não onere operações de câmbio, especialmente no caso de hedge feito por empresas. Não é justo que um trabalhador remunerado com a miséria do nosso salário mínimo perca quase trinta por cento da mixaria mensal que lhe cabe, surripiada pela avidez insaciável da União, dos estados e municípios.

Enquanto isso, o rentista nacional ou estrangeiro, que possui iates, jatinhos e vive da especulação financeira nas bolsas, gira montanhas de dinheiro e da soma gigantesca que manipulam não é gerado para os cofres públicos sequer 5% através do magnânimo IOF.

Não há mercado mais livre, do que o Brasil, mais libertino melhor dizendo, para o capital estrangeiro especulador que aqui aporta rapidamente, e vai embora ligeirinho, com mão de gato contando lucros, e festejando as isenções que desfruta, e nos deixando internamente, o rombo sempre maior da dívida pública.

Para os especuladores rentistas as isenções, para o capital produtivo, na indústria, no comércio, nos serviços, na agricultura, o peso de uma soma abusiva de obrigações.

Este o panorama brasileiro, a face ingrata de um modelo econômico que se aproxima da exaustão. E o IOF, anunciado pelo presidente Bolsonaro não recairia sobre os pobres, não afetaria sequer os empresários que efetivamente produzem, dessa forma não agravaria o peso insuportável da tributação que nos esmaga. O IOF afetaria uma ínfima parcela de rentistas que não chega a 1% da população, é absolutamente improdutiva, mas abocanha uma parte considerável da riqueza nacional, exatamente por receber um tratamento privilegiado, e por isso injustificável. A ele deveria acrescentar-se o imposto sobre herança, as grandes heranças, que existe em quase todos os países desenvolvidos.

O IOF seria um imposto benéfico, mas o presidente ao anunciá-lo esqueceu-se de consultar o seu “Posto Ipiranga”, o poderoso Paulo Guedes, cuja visão ultraliberal, que é exatamente aquela voltada para o cassino financeiro planetário, não admite nada que venha a alterar o dolce far niente do rentismo, cuja polpuda fonte é exatamente a extorsão global que o sistema financeiro sem pátria promove e estimula.

Os integrantes da equipe do Chicago Boy saíram até um tanto descorteses a desautorizar o presidente. Paulo Guedes ensimesmou-se no silêncio, logo ele tão loquaz. E a coisa piorou quando o presidente tendo certamente ouvido ponderações dos seus conselheiros, entre eles o sempre ponderado Ministro Heleno, fez observações necessarias sobre o anunciado e fatal negócio, em que a EMBRAER se reduz a 20% e o resto, com tecnologia e tudo, inclusive com o risco de a mais sensível, na área da defesa, ser também transferida para a Boeing e sem a segurança de que, findos cinco anos, o que restará da EMBRAER permaneça aqui. O presidente fez exatamente referencia a esse perigo, ao qual o novo comandante da Força Aérea aludiu numa sutil frase no seu afinado e sofisticado discurso de posse. Pior ainda para o aluno aplicado da Escola Econômica de Chicago foi a referencia do presidente a um conteúdo humano na elaboração do projeto de reforma previdenciária.

Mas se o "Posto Ipiranga" vier a revelar-se como um incomodo ponto de consulta, o presidente Bolsonaro poderia trocar de bandeira, e talvez a encontrasse com ampla credibilidade, respeito internacional e experiência imensa, indo chamar o Meireles, que João Doria, governador de São Paulo, já apressou-se em chamar.

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