Luiz Eduardo Costa
Luiz Eduardo Costa, é jornalista, escritor e membro da Academia Sergipana de Letras e da Academia Maçônica de Letras e Ciências.
Além desse blog, escreve duas páginas dominicais no Jornal do Dia.
A SECA DE SETE ANOS E O LEITE DESPENCANDO
13/11/2018
A SECA DE SETE ANOS E O LEITE DESPENCANDO

Uma seca saariana que chega aos sete anos, e neste que se finda alcançou o recorde devastador de chuviscos, mal atingindo a cifra chocha dos cem milímetros, assim, dessa forma caracterizada, dá uma ideia do tempo inteiramente adverso que vive o semiárido sergipano, nessa transição impressionante para definir-se, finalmente dispensando a palavra atenuante, e ser mesmo, apenas árido.

A continuar essa estiagem devastadora, o alto sertão sergipano estará cada vez mais aproximando-se do clima efetivamente desértico, o do africano Saara, ou o do chileno-boliviano, em área muito menor, todavia, sendo a mais seca deste nosso maltratado planeta, embora ainda existam pessoas, que seguindo um roteiro de crenças desumanizadas, e muito menos efetivamente espirituais, ou cristãs, dizem não haver problema, e tudo o que o homem destrói, depois vem a mão benevolente de Deus para recuperar e refazer. Assim, estimulam a irresponsabilidade ambiental, o clamoroso descaso em relação à vida de todas as espécies, inclusive a nossa, a humana.

Mas essa já é outra estória, ou mesmo infelizmente história, e agora, o que nos toca de mais perto é a calamidade climática que nos assola.

A única atividade promissora no semiárido tem sido a pecuária leiteira. Por quase milagre resultante da tenacidade de muitos, a atividade leiteira expandiu-se, criou polos como o de Santa Rosa do Ermírio, onde a produção já ultrapassava os 250 mil litros-dia. Multiplicavam-se as queijarias, os três principais laticínios, ampliavam a produção, e cada vez mais compravam o leite. Agora, a capacidade de resistência dos produtores está chegando ao fim, a oferta de leite vem caindo vertiginosamente, e em Santa Rosa do Ermírio já reduziu-se à quase metade. Um laticínio, o Nativille, talvez o maior, reduziu a produção, e em locais, até o sertão baiano onde chegavam os seus caminhões-pipa, cessaram de vez as compras, embora a oferta exista, e os produtores agora estão sem alternativas.

Justamente agora está sendo finalizado um programa do governo do estado para entrar em execução no próximo ano. Trata-se da utilização da bio-fábrica do Sergiptec, para produzir mudas de palma resistentes aos fungos para distribuição aos agricultores, inclusive os assentados em áreas do semiárido que até agora nada produzem. A bio-fábrica pode fornecer em um ano até um milhão de mudas, que, reproduzidas, dariam para encher o semiárido com parte da ração que as vacas consomem, e isso amenizaria o grave problema. Palmas forrageiras resistem às mais longas estiagens. Está em andamento um outro programa de inseminação do rebanho leiteiro, para ampliar com melhor qualidade genética a produtividade. Já são 550 vacas inseminadas, inicialmente. Mas tudo isso dependerá, pelo menos de um mínimo de chuva, e ai resta esperar que este período extremo seja apenas um episódio passageiro, e que a normalidade retorne, embora já se saiba que o regime das chuvas continuará sofrendo reduções.

Que pelo menos não sejam tão drásticas.

Além dessas providências, é preciso começar a trabalhar afanosamente para afastar a imagem do deserto que nos persegue.

ROCHINHA AOS 93

José Francisco da Rocha, ser humano especial, a quem foi dada a condição de longevo, para que mais ainda possa fazer de bom, na busca da perfeição, que é o seu esquadro e compasso, completou 93 anos. Quando fez os 90, momento em que os filhos decidiram comemorar, em torno dele juntaram-se tantos amigos que um vasto salão de festas como o de Selma Duarte, quase não conseguiu abrigar. Desta vez não houve comemorações, mas Rochinha, professor, advogado, homem de múltiplas atividades, se deu ao luxo de permanecer rodeado pela família, e não compareceu à sessão das quartas-feiras na Loja Maçônica Cotinguiba, onde é assíduo ao longo de mais de sessenta anos, caso único no Brasil.

LEOZINHO, FILHO DE LEÓ

José Leó de Carvalho Filho, jornalista, gestor público experimentado em inúmeros cargos que exerceu, dínamo propulsor de tantas atividades e tantas iniciativas surgidas em Sergipe, está agora enfermo, preso a uma cadeira de rodas, mas acompanhou com emoção a posse do filho José Leó de Carvalho Neto, à frente da Defensoria Pública de Sergipe.

Leó Neto carrega com ele a tradição da família Leó, na área jurídica e em exemplos de cidadania, bastando lembrar da trajetória do saudoso Procurador de Justiça Iroito Dória Leó, permanente ativista em favor das prerrogativas do Parquet.

 

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