Luiz Eduardo Costa
Luiz Eduardo Costa, é jornalista, escritor, ambientalista, membro da Academia Sergipana de Letras e da Academia Maçônica de Letras e Ciências. Além desse blog, é colunista do Portal F5 News.
A RESPOSTA RÁPIDA DO TURISMO
21/11/2019
A RESPOSTA RÁPIDA DO TURISMO

(Será o despertar do turismo sergipano?)

Quem viajou, no feriadão do 15 de novembro, percorrendo a Rota do Sertão em demanda dos cânions de Canindé-Piranhas, retornou impressionado com a longa fila de veículos na estrada durante a ida e o retorno.
A primeira impressão teria sido a de uma  coletiva fuga das praias, em consequência de más notícias daquela alongada calamidade do óleo derramado. Mas, logo se constatou que as praias, todas elas, viveram dias de movimentação incomum.


Teria o país, o nordeste, Sergipe em especial, despertado da longa letargia de uma crise econômica que  lhes roeu as entranhas de um organismo doente, e agora respiravam os ares renovadores da renascida esperança?
Infelizmente, ainda não era o que acontecia. Todavia, sem dúvidas, firmava-se a sensação de que, no setor do turismo, estaria o espaço  de recuperação mais favorável a ser percorrido, mesmo diante da forte queda registrada na renda média do brasileiro, e do nordestino em particular.
Enquanto a alta do dólar e o empobrecimento geral, fecham os horizontes para o exterior, a quase ausência de inflação, e os alongados financiamentos, tornam acessíveis os destinos internos, e o nordeste, ainda limpando o óleo, revela que a sua imagem não foi afetada.
No caso  específico de Sergipe, fortaleceram-se, no “feriadão”, dois destinos atrativos: o litoral, com as praias, os atrativos de Aracaju, e o sertão, onde ficam os lagos, o cânion  de Canindé. Ficou demonstrado, naquele final de semana, que o  profissionalismo na gestão pública, a parceria com a iniciativa privada, especialmente para a divulgação, são fatores essenciais no incremento do fluxo turístico, até mesmo, registrando-se em pouco tempo.


O acontecer a curto prazo é, exatamente, o que sucede agora em Sergipe, e ficando tão bem evidenciado com as longas filas de carros nas estradas, a lotação nos hotéis chegando a níveis excelentes, e assim, começando a mudar o clima de pessimismo e desânimo.
Só a fantástica indústria do turismo possui essa característica de provocar, quase  de forma imediata, uma reversão de expectativas,  ativando em conjunto toda uma rede de negócios, e gerando, simultaneamente, receitas e empregos.
Claro, óbvio, que para isso ocorrer seria imprescindível a estrutura já montada dos equipamentos turísticos, pré-existentes, alcançando desde o hotel, o restaurante, a lavanderia, onde são alvejados lençóis, toalhas, até o agricultor familiar que produz o coentro, o alface, chegando até o jato, com numerosa tripulação, uma formidável equipe técnica de apoio em terra. O turismo é a enorme roda que move isso tudo, e desde que exista a base, e, por circunstancias diversas essa base esteja subutilizada, operando com capacidade ociosa, então, o marketing bem elaborado,  os eventos, o relacionamento inteligente com operadoras, fazem nascer, ou renascer, os fluxos turísticos.


A crise, com a desmobilização de importantes setores da economia sergipana,  reduziu a ocupação nos hotéis, e, com isso, gerou uma espécie de capilarização dos efeitos negativos, que no campo afetaram, por exemplo, a renda  do produtor de leite, na cidade, desempregaram o motorista, o garçom.
Descobriu-se então, a tempo felizmente, que do lado público o turismo não pode ser tratado como forma de deleite pessoal de “gestores” escolhidos por critérios eleitorais, e do lado da atividade privada, não se pode entender o Estado como gerador de facilidades.
Dai, surgiu a parceria público-privada na sua forma mais simples e corriqueira: as fatias de cada um nas verbas destinadas à promoção.
Um pioneiro no negócio do turismo levado ao sertão sergipano, Manoel Foguete, ao longo do seu tempo de atividades que já se aproxima dos trinta anos, diz ter vivido períodos positivos, onde a visão do setor público abria horizontes, e também outros tempos em que a equivocada e superficial visão do turismo conduziu-nos a  momentos de desalento. Manoel é bem claro ao identificar, na chegada do jornalista Sales Neto à Secretaria de Turismo, o instante especial, onde a visão técnica e o profissionalismo começaram a prevalecer. Ele aponta várias iniciativas, mas, destaca especialmente duas: a reaproximação com operadoras de turismo, a mais importante delas, a CVC, e a intensificação da presença de Sergipe nos eventos de turismo e nos espaços das mídias.
Parece um despertar, e seria bom que essa sensação de coisa nova prevalecesse.

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