Luiz Eduardo Costa
Luiz Eduardo Costa, é jornalista, escritor, ambientalista, membro da Academia Sergipana de Letras e da Academia Maçônica de Letras e Ciências. Além desse blog, é colunista do Portal F5 News.
A “CLASSE A” APODRECE ARACAJU
21/09/2019
A “CLASSE A” APODRECE ARACAJU

(Rio Poxim, a cloaca da cidade)

Aracaju fede cada vez mais, e nos bairros considerados ricos a fedentina é pior. Garante o diretor–presidente da DESO engenheiro Carlos Melo que o bodum exalado pela cidade em variados pontos, estaria na contramão do crescimento da rede de esgotamento sanitário, que vem sendo expandida, e já estaria a alcançar mais de 60% da área da Grande Aracaju. A ampliação da rede de esgotos nesses últimos dez anos seria de cem por cento, dando a Aracaju a condição de uma cidade para os padrões brasileiros, bem acima da média em  esgotamento sanitário. Os despejos que ocorrem nos rios do Sal, Sergipe e Poxim, são antes tratados pelas sete estações em funcionamento. Com a entrada em operação de mais três, após a conclusão de sistemas nos bairros Eduardo Gomes, e Rosa Elze em São Cristovão, todo o volume de descarga nos rios estará inteiramente tratado.

Então, resta a pergunta: por que Aracaju exala tanta podridão, principalmente nos  bairros nobres da capital, como são chamados os locais de moradia da Classe A?
Os subúrbios estariam reservados aos plebeus, ou, na visão aristocrática e boçal: a gentalha.

A segmentação da sociedade em classes identificadas pelas  quatro primeiras letras do alfabeto, é feita tomando como base a renda familiar. Dessa forma, as cidades brasileiras, as vezes até constrangedoramente, são formadas por guetos que muito se diferenciam, e por isso pouco se comunicam. No gueto privilegiado da Classe A, quem lá habita mantem uma asséptica distancia da região onde vive a Classe C, uma área sem atrativos, onde os seus habitantes destituídos dos benefícios elementares da civilização, não dispõem, por exemplo, de redes de esgoto e água encanada. E  muitos acharão que isso é normal, são pobres porque não se qualificaram melhor. Assim pensam os ultraliberais. Afinal,  devem ter esgotos  os que podem pagar pelo beneficio, daí, defenderem a privatização das empresas de saneamento básico, que cuidarão bem melhor das áreas nobres, e jamais levarão esgotos  ou até mesmo água encanada às favelas.

O local onde vive a Classe A poderá ser chamado de  bairro rico, tendo moradores com mais elevado grau de escolaridade, e, consequentemente, adotando hábitos civilizadíssimos. Quem mora num desses locais nem sabe o que é um penico. Mas os que se aglomeram aqui em Aracaju, por exemplo, nos barracos às margens  do rio Poxim,  logo após a ponte do São Conrado,  já no subúrbio distante,  cumprem o ritual diário  de lançar ao rio o  conteúdo malcheiroso dos seus penicos. Eles, apesar de comerem pouco ou quase nada,  não intercalam suas idas ao penico, dia sim dia não, como desejaria o presidente Bolsonaro.

Por sua vez, também em Aracaju, aqueles privilegiados  habitantes dos bairros nobres, principalmente os da Orla, ou às margens dos canais, como o  Tramanday,   que desconhecem o penico,  se tornam os maiores responsáveis pelos excrementos que correm  sem nenhum tratamento para os cursos d`agua  transformados em cloacas.

Apesar de haver em cada prédio de apartamentos um sistema próprio de tratamento, por falta de manutenção  o despejo do esgoto sanitário é feito  na tubulação para águas pluviais. Pior ainda, muitos, faz tempo, já ligaram seus esgotos diretamente nessas redes para escoar as chuvas, e assim continuam, mesmo tendo nas ruas onde vivem, a rede de esgotos. Nisso, a Classe A, por indiferença, ou até ignorância mesmo, se assemelha muito à Classe C, ambos, naturalizando o ato de remeter merda direto para os canais, os rios, o oceano. O primeiro, por excesso de indiferença, o segundo, por escassez  de meios.

Então, para os bairros pobres deve ser levado o saneamento básico,  e também a civilização,  um dever do Estado movido pela visão  social.  Já para os bairros ricos, deve ser exigido pelo Estado movido pelo interesse público,  que os seus moradores, todos presumivelmente esclarecidos, educados, e conscientes dos seus deveres,  parem de jogar a exuberante merda que produzem nos cursos d`agua transformados em cloacas pestilentas, que contaminam os ares antes tão límpidos de Aracaju, e afetam os seus próprios narizes, talvez, com o tempo, já insensíveis à essas exalações nauseabundas, e nisso, apesar da distância, se aproximam daqueles outros  da Classe C, que, literal e forçosamente, já vivem mesmo cercados de merda.

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ARACAJU BYE BYE,  MÁRIO CABRAL E A petrobras

(A área e as edificações serão abandonadas?)

Mário Cabral, um dos mais destacados intelectuais sergipanos, aquele a quem a acadêmica e primorosa escritora Ana Medina dedicou uma biografia replena de admirações, um dia, tangido pela miudeza sem perspectivas da nossa terra nos idos dos anos cinquenta, daqui despediu-se, até comovidamente, e foi viver em Salvador, onde chegou para dar sequencia a uma carreira de sucesso como jurista, professor e escritor.

Já instalado na capital soteropolitana, Mário escreveu um livro de crônicas, dedicado à  cidade da qual se afastara, e deu-lhe o título: Aracaju BYE BYE. 

Meses depois de lançada aquela sua nova obra, Mário passando pela rua  Chile,  ao  lado da Alfaiataria Spinelli,  encontrou-se com um  sergipano ao qual enviara o seu volume de crônicas, e pergunta-lhe: “gostou do meu livro”? E ouviu a resposta: “Gostei muito li todo numa noite, mas não entendi aquele bi bi  no título”.

Um tanto atordoado pela estranheza do “intelectual" conterrâneo, Mário, sem perder a verve “explicou” que o bi bi era uma forma de dar adeus utilizada pelos gregos, mas  pronunciava-se assim: bê bê". Despediram-se,  Mário murmurou um  bai bai fulano, e foi-se embora, livrando-se rápido da contaminação do empedernido que se intitulava poeta.

Pois agora a Petrobras nos deixa,  e sem sequer despedir-se. Pelo menos nos deveria um adeus, até em inglês, a nova e exclusiva língua que a petroleira hoje utiliza, dizendo simplesmente com um mínimo de cortesia: Bye Bye Aracaju.

E aqui a gente ficaria sergipanamente engasgado, e com uma vontade danada de responder, mesmo sem avaliar o tamanho do nosso colossal  prejuízo: Já vai tarde.
Mas, em compensação, a EXXON desde agora grafada assim em letra de forma, como antes orgulhosamente escrevíamos PETROBRAS, aqui chegou, vai começar a extrair gás e petróleo em profusão na plataforma marítima, e é possível até que instale uma sede regional em Aracaju . Que venham outras EXXON, talvez nem sejam tão estrangeiras, como é hoje a  Petrobras.

 

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E CHEGA O HOSPITAL DO CÂNCER

(Uma boa notícia: Hospital do câncer em Aracaju)

O Dr. Valberto, um médico agora em tempo integral a cuidar da saúde Sergipana, como  Secretário de Estado que apresenta bons resultados, informa que em Barretos, São Paulo, uma equipe da Secretaria dá forma final ao projeto do novo Hospital do Câncer de Aracaju concebido nos moldes de eficiência, humanismo e modernidade, que Henrique Prata imprime aos seus empreendimentos filantrópicos no setor oncológico. Se tudo continuar no ritmo em que andam as coisas, como quer o governador Belivaldo, o modelo do Hospital do Amor de Barretos, começa a ser instalado em Aracaju no próximo ano.

DO TURISMO AO NEGÓCIO DO COCO 

(Manoel Foguete: Turismo e agora exportação)

Depois de consolidar o cânion de Canindé do São Francisco como o segundo polo receptor de turismo em Sergipe, Manoel Foguete parte para ampliar seus empreendimentos e investe na indústria de aproveitamento do coco. Continua com projetos na região de Xingó, em Sergipe e Alagoas, com foco agora na hotelaria, onde, também em Canindé foi pioneiro o empresário e jornalista Nazário Pimentel. Na segunda metade dos anos oitenta, ele assumiu um projeto elaborado pela Emsetur, quando outros empresários hoteleiros já haviam desistido, e construiu o Xingó Parque Hotel, num período em que havia incertezas sobre a continuação das obras da Usina hidrelétrica. O hotel de Nazário permanece sendo o maior da região.

Voltando a Manoel Foguete: ele pretende aproveitar integralmente o coco, desde a água, passando pela polpa, até o chamado casco,  que  já transforma em fibra numa indústria de pequeno porte instalada no Mosqueiro, em Aracaju. Aproveita as duzentas toneladas de coco que semanalmente a Prefeitura recolhia para levar até o lixão.
Mas o item principal será a água de coco sem conservantes, que Manoel  vai exportar para os Estados Unidos, inicialmente para Miami. Um jato  de carga será fretado para o transporte.

A CORAGEM DE EMPREENDER

(O grande terceiro shopping de Aracaju)

Mantendo a tradição da família Franco, que é a de instalar empresas em Sergipe e tocá-las adiante, os irmãos Marcos e Osvaldo já abriram ao público a primeira etapa do Shopping Aracaju. A área é estratégica, levando-se em conta o crescimento exponencial que ocorrerá na Barra dos Coqueiros, logo em frente, do outro lado do rio, e  bem próxima pela ponte construída por João Alves.
Deve ter sido necessária muita dose de coragem empresarial para tocar um empreendimento como um Shopping, numa época de recessão e de desânimo no mundo dos negócios.
Osvaldo e Marcos enxergaram adiante, acreditaram nas perspectivas de Sergipe, que vai ter um desenvolvimento acelerado a partir do modelo de produção e aproveitamento do gás e petróleo, e, mais ainda,  com a base de energias renováveis que aqui começa a ser instalada.
Os dois irmãos herdaram a visão empresarial do avô, Augusto Franco,  a fibra e a pertinácia do pai, Antônio Carlos Franco, e investiram enquanto tantos  preferiam a comodidade do rentismo. Assim, com o novo negócio que criaram, devem gerar algo em torno de dois mil empregos, diretos e indiretos.
Há horizontes para Sergipe, e outros empreendimentos semelhantes surgindo na região sul da cidade. Encontrarão um clima em que o poder aquisitivo do sergipano começará a ter uma alta sustentável.
O tio de Marcos e Osvaldo, o ex-governador Albano  Franco, sempre entusiasmado com o desenvolvimento de Sergipe, nas páginas dos jornais saudou com euforia o nascimento de um novo Shopping em Aracaju.

OS 300 MILHÕES DE EDVALDO

(Edvaldo, muito além da zabumba)

Os que gastam tempo  em descaracterizar Edvaldo Nogueira, associando suas habilidades apenas ao fato de que toca zabumba, talvez estejam começando a enxergar que as expertises do Prefeito vão bem além da música, e à simples militância partidária.  Ele, tocando zabumba em cada Forrocaju, ao mesmo tempo ia abrindo caminhos em Brasília, e soube aproveitar o prestigio que no governo Temer tinha o deputado federal André Moura. Assim, depois de enxugar drasticamente as finanças municipais, e  dar eficiência à sua máquina arrecadadora,  garantiu  ainda o fluxo de dinheiro federal para a prefeitura de Aracaju. Com o empréstimo de mais de 300 milhões agora contraído, Edvaldo  vai por  nos trilhos um trem de obras por toda a cidade, com o diferencial de que os seus olhos enxergam bem o lado social.

O PREFEITO BALANÇOU E VAI CAIR

(Ednaldo, o breve)

Em Canindé quando morreu o carismático Orlandinho Andrade assumiu o vice Ednaldo da Farmácia. Não tinha carisma nem algum traço de habilidade política, mas, sendo um pequeno empresário bem sucedido, esperava-se que ele demonstrasse um mínimo de competência gerencial. Não foi o que aconteceu. Ednaldo formou uma equipe sem ter zelo para discernir quais seriam os mais competentes, e contentou-se com a ineficiência absoluta. Depois, tudo se foi complicando do ponto de visa administrativo, e também ético, na medida em que ampliava-se a influência na Prefeitura da advogada Kátia Siqueira. Armou-se então uma bomba de desmandos, desleixos, despropósitos, que levaram o município ao fundo do poço.  Houve uma  ação do Ministério Publico, para  racionalizar os gastos, mas tudo já degringolava rapidamente. 
Os vereadores reagiram, foram afrontados pelo Prefeito, que não atendeu a sucessivos pedidos da Câmara para que apresentasse um quadro completo das finanças  do município. Finalmente, constituiu-se um a comissão para cuidar do impeachment do prefeito. Tudo foi feito dentro do que determina a lei, todos os prazos rigorosamente obedecidos, assegurado o direito de defesa, e marcou-se a sessão final de julgamento para essa segunda- feira, dia 23. O prefeito recorreu ao Juiz da Comarca solicitando a suspensão do julgamento, mas o Juiz negou o pedido, apresentando didaticamente uma série de razões  para que o rito do impeachment tivesse livre andamento. O Prefeito recorreu ao TJS , que, na manhã  desse sábado, 21, sacramentou o que decidira o Juiz. Assim, está garantido o prosseguimento do impeachment, e nessa segunda–feira, pelo placar esperado de nove votos a zero, (dois, dos onze vereadores não comparecerão) o prefeito perderá o mandato, que aliás nunca  chegou sequer a tentar exercê-lo, pelo menos, para o  indispensável  ofício de administrar.

UMA NOTA TENTANDO ESCLARECER

Da advogada do Posto de Gasolina em Canindé recebemos a solicitação para que aqui divulgássemos uma nota de esclarecimento que abaixo reproduzimos:

O AUTO POSTO CANINDÉ, vem a público, se pronunciar sobre a matéria veiculada no blog Luiz Eduardo Costa, considerando ser o único Posto de Combustível fornecedor com contrato vigente com o Município.
Esclarecemos a população que a prestação do serviço nunca foi suspensa, ainda que esta suspensão fosse respaldada em Lei; que as notas de balcão contêm tanto a placa do veículo, sua quilometragem e o motorista responsável no momento do abastecimento, sendo ainda fiscalizada por um servidor designado que acompanha o momento do abastecimento.

O acompanhamento e fiscalização do contrato, bem como fiscalização da frota é feita diretamente pelo Município de Canindé, através de servidor designado para este fim, não cabendo ao contratante esta responsabilidade, entretanto, a matéria em questão, leva a crer que o serviço não vem sendo prestado ou que o abastecimento é fictício, fato esse de fácil comprovação tanto pela população quanto pelos órgãos de controle a que se submete a Administração Pública. Se assim não fosse, incorreria em crime não somente o Gestor Municipal, como também os sócios proprietários do referido estabelecimento.

Dessa forma, viemos por meio desta, demonstrar nosso pesar por notícias que levam à população a inverdade das notícias e que fere a honra e a dignidade de uma empresa que se mantém há mais de 20 anos estabelecida na cidade, gerando emprego a mais de 10 famílias da Cidade de Canindé do São Francisco, e com todas as suas obrigações fiscais e trabalhistas em total conformidade com suas obrigações legais.
Por respeitarmos ao blog e todos os meios de comunicação, e respeitando o livre direito de expressão, pedimos cautela nesse momento, ao se mencionar empresas que ainda lutam por continuar em funcionamento ainda com toda a crise que assola nosso município e nosso país.

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