Luiz Eduardo Costa
Luiz Eduardo Costa, é jornalista, escritor e membro da Academia Sergipana de Letras e da Academia Maçônica de Letras e Ciências.
Além desse blog, escreve duas páginas dominicais no Jornal do Dia.
A ANSIA DE BELIVALDO EM TAPAR A PISCINA PALACIANA
15/12/2018
A ANSIA DE BELIVALDO EM TAPAR A PISCINA PALACIANA

No chamado Palácio de Veraneio da Atalaia, há uma piscina com um bom tamanho. Uma das primeiras providencias de Belivaldo foi desativar o palácio, onde há uma grande sala de refeições, e costumava haver almoços e jantares, isso, desde que o palácio foi construído por um engenheiro europeu que fez o seu teto fortemente inclinado, certamente para prevenir-se do peso extra causado pelas nevascas.

No espaço que era acanhado desde a construção nos anos trinta, governadores costumavam passar o verão, e desde então havia o costume de levar amigos, auxiliares, políticos, para os regabofes constantes, isso, a depender do estilo de cada governante. Os tempos mudaram, descobriram, tardiamente é verdade, que cofres públicos também esvaziam, e o Estado não é imune à quebradeira. Assim, qualquer coisa que fuja ao usual e à simplicidade, pode parecer um despropósito, até uma ofensa à maioria da nossa população, que vive pobremente, e às voltas com permanentes dificuldades.


Assim, quando por força da transparência eram publicadas as listas de compras da chamada ¨mordomia¨ palaciana, sempre havia o escândalo com a quantidade de camarões de filé mignon, e iguarias tantas, que só chegam a uma minoria de mesas de quem tem recursos para tanto. Já em palácios essas despesas se tornavam acintosas, porque realizadas à custa do dinheiro público.

Belivaldo eliminou tudo isso, não apenas por questão de economia, mas, como uma demonstração de que as práticas usuais e sempre aceitas, agora não condizem mais com a realidade que vivemos, e mais ainda, como uma espécie de comedimento ético que não deve ser transgredido, desde que exista respeito à sociedade, ao eleitor que vota , elege, e justamente se revolta com qualquer vestígio de ostentação.


Partindo desse principio, Belivaldo entende que num palácio, local de trabalho, e não de lazer, a simples existência de uma piscina é uma subversão da lógica de comedimento que não pode ser desprezada. Ele já eliminou almoços e jantares. No palácio de despachos que frequenta, Belivaldo só admite café, e à tardinha uma rodada de pipoca, quando quem estiver por lá é servido. Almoço ou jantar, ele e auxiliares diretos que o acompanham, só fazem mesmo em suas casas, ou em restaurantes, pagando cada um a sua despesa.

O Palácio de Veraneio perde este nome, vai ser local de despacho, de trabalho, para aonde irão setores do governo, que até ocupam prédios alugados, e a piscina logo vai desaparecer, aterrada, e dando lugar às arvores que no espaço irão crescer, ajudando a quebrar a aridez das paredes, das telhas, do cimento. Belivaldo entende que governador não veraneia, nem tem nenhum direito à mordomias.

 

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